Abilio não bota fé em interesse do Governo Lula na Santa Casa e ironiza: ‘quanto tá a picanha?’

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), comentou nesta quinta-feira (10) sobre a possibilidade de o governo federal adquirir a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá em leilão, proposta defendida pelo deputado federal Emanuelzinho (MDB). Brunini classificou a iniciativa como ação midiática e demonstrou ceticismo quanto ao interesse da União em efetivar a compra.

Leia também
‘Estado está pronto, mas precisa da denúncia’, diz Roveri ao comentar alta nos feminicídios
A Santa Casa, que atualmente está em funcionamento sob administração do governo estadual, foi transformada em Hospital Estadual em 2019 após anos de dificuldades financeiras que levaram ao fechamento da unidade quando estava sob gestão privada. A intervenção do Estado, sob o governo de Mauro Mendes (União Brasil), foi necessária para reabrir e manter o hospital ativo, incluindo uma ampla reforma do imóvel.
Porém, a atual discussão concentra-se na possibilidade de fechamento da Santa Casa, já que o governo estadual planeja transferir os serviços que são realizados na unidade para o novo Hospital Central, que está em fase final de inauguração. Essa medida coloca em debate o futuro da unidade e do imóvel, que está sob gestão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em função de dívidas trabalhistas acumuladas no passado, que somam cerca de R$ 48 milhões.
O imóvel onde funciona a Santa Casa foi avaliado pelo TRT entre R$ 70 milhões e R$ 75 milhões, valor que, segundo o prefeito Abílio Brunini, está acima da capacidade financeira da Prefeitura. Em entrevista após reunião realizada na sede do TRT, Brunini afirmou que “houve uma avaliação do imóvel que nós entendemos ser superestimada. Uma avaliação em R$ 70 milhões acho que foge das possibilidades, ainda mais para a realidade econômica que vivemos.”
Ele explicou que o caminho mais viável para o município participar da aquisição é por meio de leilão, evitando a desapropriação, que “obriga o município a arcar com o valor total da avaliação, o que poderia gerar conflitos judiciais com os credores”. Segundo o prefeito, “a forma do município participar com maior economicidade e justiça, garantindo o pagamento aos trabalhadores, é através do leilão do imóvel.”
Brunini também apontou a origem da crise da Santa Casa. “A Santa Casa está na situação que está por irresponsabilidade da gestão do antigo prefeito. A Santa Casa começou a fechar por falta de repasses da prefeitura, que recebia os recursos do governo federal, mas não repassava para a Santa Casa. Isso foi colocando a unidade numa dificuldade financeira muito grande, que chegou ao ponto de ficar dois a três meses sem pagar os funcionários. Aí os funcionários ameaçaram paralisação, até o estado anunciar a intervenção para salvar a Santa Casa.”
Ao ser questionado sobre a proposta do deputado Emanuelzinho, que busca um estudo para que o governo federal compre o hospital, Brunini respondeu: “A proposta do Emanuelzinho é lógica, no sentido de que eles são os primeiros a poder dar o lance e comprar. Se o governo federal quiser comprar, ótimo, vamos salvar a Santa Casa. Pouco importa se vai ser o governo federal, estadual ou municipal. O importante é que o município não perca essa unidade de saúde. Se o governo quiser adquirir e passar para o município gerir, não tem problema nenhum, assim como adquirir e ele mesmo gerir”.
Porém, questionado sobre a real disposição da União em comprar o imóvel, o prefeito ironizou a situação: “Quanto que tá a picanha? Ele não cumpre, isso é só mídia”.

Fonte


Publicado

em

por

Tags: