Congressistas democratas criticam tarifas de Trump ao Brasil: 'Extorsão'

“O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”, afirmou Lula, em nota na quarta.

“O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”, seguiu Lula.

Trump ainda mencionou supostas decisões “ilegais e secretos” do Supremo Tribunal Federal (STF) contra cidadãos americanos usuários de big techs americanas – o que a Corte nega. E afirmou haver um “déficit insustentável” dos EUA na balança comercial com o Brasil, o que é contradito pelos dados do próprio governo americano, que registram superávit para o país nos últimos 15 anos.

“Só para deixar claro, ele quer que paguemos mais pelos produtos que importamos do Brasil porque quer salvar um comparsa político estrangeiro que está sendo julgado por corrupção. Não vejo a mentalidade de “América em Primeiro Lugar” aqui”, escreveu a Senadora Tina Smith, democrata do Minnesota, citando o slogan de campanha de Trump, Make America Great Again.

Ela foi ecoada pelo colega senador Tim Kaine, Democrata pela Virgínia. “A última coisa que os americanos querem é outra guerra comercial que vá aumentar preços e jogar os negócios na incerteza – e tudo por que? Para punir o Brasil por tomar medidas para responsabilizar um desonrado amigo de Donald Trump por tentar derrubar o governo (brasileiro)”, disse Kaine em nota em
que comparou os eventos de 6 e 8 de janeiro em ambos os países e acusou Trump de privilegiar “rancores políticos” sobre o “bem da economia”. Kaine prometeu ainda tentar bloquear as tarifas de Trump, consideradas ilegais por economistas como o Nobel Paul Krugman justamente pelo teor político de suas justificativas.

As tarifas devem entrar em vigor a partir de 1?º de janeiro. Hoje, Trump abriu a possibilidade de conversar com Lula sobre o assunto, mas “não agora”, já que Lula estaria dando “tratamento injusto” a Bolsonaro. O governo brasileiro não vê possibilidades de negociação se as exigências de Trump ameaçarem a soberania nacional é Lula já prometeu responder à altura.

A narrativa de que Bolsonaro e seus apoiadores são alvos de perseguição política no Brasil tem sido encampada há meses em Washington pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e pelo comentarista político Paulo Figueiredo. O discurso, porém, só encontrou tração entre políticos republicanos até agora. Os democratas se opõem a esse tipo de medida. Ainda durante a gestão Biden, nas eleições de 2022, eles emitiram uma série de alertas ao então governo de Bolsonaro e aos militares brasileiros que não endossariam qualquer aventura golpista no Brasil.

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