
Trump, o suposto paladino da liberdade de expressão, anunciou ontem que essa conversa de sigilo não é com ele. Prometeu uma tempestade de ações judiciais contra veículos de comunicação, inconformado que está com os “offs”. Em sua rede social, a Truth Social, mandou ver:
“Por ser o presidente a quem se tem atribuído o melhor primeiro mês de gestão da história, é natural que surjam livros e reportagens falsos com as chamadas citações ‘anônimas’ ou ‘off the record’. Em algum momento, vou processar alguns desses autores e editoras desonestos, ou até mesmo a mídia em geral, para descobrir se essas ‘fontes anônimas’ realmente existem”.
Mais um pouco? Classificou o trabalho dos jornalistas de que não gosta de “ficção difamatória inventada” e reforçou a ameaça: “Um grande preço deve ser pago por essa desonestidade flagrante. Farei isso como um serviço ao nosso país. Quem sabe, talvez criemos alguma nova lei boa!”.
Alguém indagará: “Mas esse não é o país que veda que se legisle sobre liberdade de expressão?” Pois é… Nazistas podem escrever panfletos ou desfilar nas ruas com suas gangues, e difamadores e arruaceiros se juntar a Elon Musk na X sem qualquer receio. A depender do tribunal e do juiz, no entanto, um jornalista, corre o risco de ir em cana se não revelar a sua fonte no caso de esta ser considerada relevante numa investigação.
JEFF BEZOS
Esta quarta-feira, aliás, foi pródiga e eloquente em matéria de “liberdade de expressão” nos EUA. O multibilionário Jeff Bezos, dono também do The Washington Post, escreveu um texto no X anunciando o fim da pluralidade na página de opinião do jornal.
Textos que se oponham às “liberdades individuais” e ao “livre mercado” não mais serão aceitos. A questão, é evidente, é saber o que tais expressões significam na era Trump, com o qual o empresário se alinha. Vocês diriam que a sanha tarifária do presidente americano é um exemplo de economia de mercado? Ou que defender a punição a um jornalista que se negue a revelar a sua fonte é o estado da arte das liberdades individuais?
Com sotaque ideológico característico, bateu no peito:
“Sou da América e pela América, e tenho orgulho disso. Nosso país não chegou aqui sendo previsível. E uma grande parte do sucesso da América tem sido a liberdade no âmbito econômico e em todos os outros lugares.”

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