Anistiar Bolsonaro sob chantagem é como soltar membro do PCC após 'salve'

Imaginem que o PCC emita um salve ordenando que os seus membros toquem o terror nas ruas de São Paulo até que um de seus líderes, seja solto. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso diria que é inaceitável um Estado ceder à chantagem para liberar quem cometeu crimes graves.

É fascinante, portanto, que quando a questão envolve Bolsonaro, muitos resolvam passar pano. Mesmo que tentativa de golpe de Estado e de dissolução violenta do Estado democrático de direito, além de organização criminosa, sejam também crimes graves cujo perdão e anistia não deveriam ser tolerados – sob o risco de que eles voltem a acontecer.

Os Estados Unidos são uma democracia soberana, não uma máfia, pode implementar quaisquer tarifas de importação por motivos técnicos — sabendo, claro, que haverá reciprocidade. Mas, ao ameaçar sancionar uma democracia interferindo em seu Poder Judiciário, comporta-se como chantagista, ameaçando milhares de empregos e bilhões de dólares. O mais irônico é que o governo Trump quer que Lula atue como Nicolás Maduro, interferindo em outras instituições (o STF, no caso), coisa que uma democracia não faz.

O clã Bolsonaro também vem deixando claro que Trump devolverá a nossa economia caso o Congresso Nacional aprove uma anistia que beneficie Jair. Trabalham com a hipótese de que os parlamentares vão acabar se borrando nas calças diante da faca no pescoço imposta por Washington DC e ceder.

O bolsonarismo, que chama o Brasil de Venezuela quer que o Brasil se comporte como uma autocracia e chute instituições para impedir que o mito vá parar no xilindró. Há quem diga se alimentar de princípios democráticos mas, na verdade, come outra coisa, porque seu hálito exala cinismo.

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