Representantes dos segmentos do agronegócio que mais exportam para os Estados Unidos, como café, suco de laranja e carne bovina, vão se reunir nesta terça-feira (15/7), a partir das 14h, com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em Brasília, para discutir estratégias de negociação com os norte-americanos após anúncio da taxação de 50% sobre os produtos brasileiros a partir de agosto.
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Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, vai liderar as tratativas com o setor privado e demais ministros do comitê interministerial que será criado para avaliar medidas de reciprocidade que poderão ser aplicadas aos EUA. Ele vai conceder uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto logo mais para atualização a situação.
A princípio, não haverá participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesses debates. Há possibilidade de participação de membros da indústria nessa primeira reunião ampliada com governo e setor privado.
O objetivo do encontro será ouvir as demandas das entidades de produtores e exportadores e buscar um entendimento entre setor público e privado para alinhar ações, apurou a reportagem. Após especulações que circularam nesta segunda-feira (14/7), sobre a possibilidade de o Planalto negociar com Donald Trump o adiamento da entrada em vigor da tarifa ou a criação de cotas para exportação isenta de café e suco de laranja, integrantes do governo pregam cautela e dizem que não deve haver decisão nesses primeiros encontros.
As negociações serão coordenadas pelo comitê interministerial que a presidência irá criar nos próximos dias. A tendência é que o comitê tenha pelo menos cinco ministros, além de empresários de setores impactados negativamente pela taxação. Se não avançar as negociações, o governo irá adotar a lei da reciprocidade. O decreto que institui a lei deve ser publicado até terça-feira (15/7).
O setor privado também terá uma agenda intensa de reuniões em Brasília para tentar encontrar uma saída viável em meio ao tarifaço de Trump. Antes da reunião com Alckmin e Fávaro, empresários do agronegócio devem se reunir com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e outros ministérios, como o Itamaraty.
“Estamos buscando a negociação mais pragmática possível diante da realidade dos dois mercados”, disse uma liderança do setor cafeeiro. O Brasil é maior produtor de café do mundo e os Estados Unidos, o maior consumidor, lembrou a fonte. “É uma relação para os dois países. Eles são insubstituíveis, cada um com a sua consolidação”.

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