Nobel de Economia, Paul Krugman afirma que nova taxação é ilegal e que Trump tenta interferir na política brasileira. Economista diz que medida é “motivo de impeachment” e compara ação à de regimes autoritários.
Quem é Paul Krugman
Paul Krugman, 72, é um colunista americano formado em economia por Yale e fez doutorado no MIT, duas das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos. Ele é conhecido por unir teoria econômica e opinião política com clareza e contundência.
Ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2008 por seu trabalho sobre comércio internacional e geografia econômica, que ajudou a explicar por que as empresas e as pessoas se concentram em certas regiões.
É um dos criadores da “nova teoria do comércio”, que revolucionou a forma como economistas entendem o comércio internacional. De acordo com o Prêmio Nobel, a teoria mostrou que países semelhantes também podem se beneficiar ao trocar entre si, porque consumidores valorizam diversidade de marcas e produtos — por exemplo, dois países que produzem carros podem ambos exportar e importar carros diferentes.
Foi professor em universidades como MIT, Stanford, Princeton e atualmente leciona no centro de pós-graduação da Universidade da Cidade de Nova York. Ele também escreveu mais de 20 livros e centenas de artigos acadêmicos.
Krugman foi colunista do jornal The New York Times por mais de duas décadas. O economista ainda mantém uma newsletter semanal com análises sobre economia, política e tecnologia.
O que aconteceu?
Krugman classificou a tarifa como “maligna, megalomaníaca e ilegal”. O economista e ganhador do Nobel escreveu no New York Times que a medida de Trump não tem justificativa econômica.
Para Krugman, ação é tentativa de interferir na democracia brasileira. Ele diz que Trump busca punir o país por julgar Jair Bolsonaro no STF.
Por que digo que é megalomaníaco? O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes? Essas exportações para os EUA representam menos de 2% do PIB do Brasil. Será que Trump realmente imagina que pode usar tarifas para intimidar uma nação enorme, que nem sequer depende muito do mercado dos EUA, para que abandone a democracia?
Paul Krugman
Economista afirma que tarifa é “motivo suficiente” para impeachment de Trump. Segundo ele, usar o comércio exterior para fins políticos fere princípios legais e democráticos.
Krugman diz que tarifa “não tem nada a ver com economia”. Ele explica que as leis americanas preveem tarifas em casos específicos — como segurança nacional ou dumping — e que nenhuma dessas exceções se aplica.
“É descaradamente ilegal”, escreveu o Nobel em novo artigo. Krugman argumenta que o próprio Trump admitiu que impôs a taxa em defesa de Bolsonaro, o que, segundo ele, torna a ação inconstitucional.
Ele critica a imprensa dos EUA por tratar caso com eufemismos. “Trump não está ‘testando os limites’. Está violando a lei. Ponto final”, afirmou.
Nova taxação de Trump
Trump impôs tarifa de 50% sobre exportações brasileiras. A medida foi notificada em carta enviada ao presidente Lula no dia 9 de julho.
Republicano disse que Brasil está tratando Bolsonaro como “vergonha internacional”. Na carta, Trump criticou diretamente o julgamento do ex-presidente no STF.
Nova tarifa começa a valer em 1º de agosto. O aumento vale para uma ampla gama de produtos brasileiros e foi justificado como resposta a “ataques contra eleições livres”.
Trump disse que o Brasil prejudica liberdade de expressão americana. A alegação, feita sem provas, consta no documento enviado ao governo brasileiro.
Exportações brasileiras aos EUA somaram US$ 40,3 bilhões em 2024. Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.
Reação do Brasil

Lula afirmou que o Brasil não aceitará ser tutelado. Em resposta oficial, o presidente disse que o país agirá com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Presidente criticou Trump por usar falsas alegações comerciais. Lula rebateu o argumento do déficit americano, apontando que os EUA têm superávit com o Brasil há 15 anos.
Brasil pode retaliar com tarifas equivalentes. Em entrevista ao Jornal Nacional, Lula admitiu que o governo avalia medidas proporcionais se não houver acordo.
“Queremos negociar, mas com respeito”, disse Lula. O presidente ressaltou que decisões da Justiça brasileira não estão sujeitas a ingerência externa.
Trump defendeu Bolsonaro em redes sociais. O republicano disse que o ex-presidente brasileiro é alvo de uma “caça às bruxas” e afirmou que irá conversar com Lula “em algum momento”.

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