![]()
A PGR (Procuradoria-Geral da República) revelou nas alegações finais da trama golpista que os acusados usavam o termo “churrasco” para se referir à tentativa de golpe de Estado.
O que aconteceu
Palavra constava em mensagens encontradas durante investigação nos celulares do tenente-coronel Mauro Cid. “O pessoal que colaborou com a carne estão (sic) me cobrando se vai ser feito mesmo o churrasco”, perguntou o tenente Aparecido Portela, apontado como amigo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao então ajudante de ordens do Planalto.
Ao STF, Cid confirmou o uso do codinome. “Ao dizer ‘o pessoal que colaborou com a carne’, [Portela] estava se referindo a pessoas do agronegócio que contribuíram financeiramente para a mobilização e manutenção de inúmeras pessoas na frente dos quartéis”, afirma o relatório relativo ao depoimento do tenente-coronel à Corte.
Ontem, a PGR pediu a condenação de Cid, Bolsonaro e outros seis. São os acusados do chamado núcleo 1, composto por:
- Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin;
- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência);
- Jair Bolsonaro, ex-presidente;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;
- Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército;
- Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa.
Eles são acusados de cinco crimes. São eles: organização criminosa armada; tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito; golpe de Estado; dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Contra Bolsonaro, pesa ainda a agravante de liderar o grupo.
As defesas terão agora 15 dias para se manifestar. Ao final desse prazo, a Primeira Turma do STF vai marcar a data para o julgamento das acusações.
Eventual condenação de Bolsonaro e demais réus não é garantia de prisão. Essa decisão depende do tamanho da pena e da análise de todos os recursos das defesas.

Deixe um comentário