Você já ouviu falar da crotalária? Essa planta, muito usada por agricultores para melhorar a qualidade do solo, ganhou o apelido de “adubo verde” por ajudar a fertilizar a terra entre uma safra e outra. Mas o que era para ser um aliado da agricultura se transformou em um perigo mortal para cavalos em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Alagoas, onde 245 animais morreram após consumir ração contaminada.

O Ministério da Agricultura (Mapa) descobriu que rações produzidas em uma fábrica em Itumbiara (GO) estavam contaminadas com uma toxina perigosa encontrada na crotalária: o alcaloide pirrolizidínico, especificamente a monocrotalina.
Essa substância, presente principalmente nas sementes e favas da planta, causa danos gravíssimos ao fígado dos animais, levando a uma falha hepática aguda.
Por que a crotalária virou um risco?
A planta é benéfica para o solo quando usada no momento certo, pois fixa nitrogênio e melhora a terra para novas plantações.
Porém, se não for removida antes de desenvolver sementes, ela se torna altamente tóxica para animais e até humanos.
Cavalos intoxicados sofrem com lesões no fígado, e a toxina se acumula nos músculos e ossos, piorando o quadro quando o animal se exercita.
Os sintomas evoluem rápido, e a morte pode ocorrer em questão de horas.
O Mapa monitora os casos e investiga se há contaminação em outros estados, como Bahia e Goiás. Enquanto isso, produtores rurais e criadores de cavalos devem ficar atentos à origem da ração e ao manejo da crotalária em pastagens.
Os casos vêm sendo apurados desde a primeira reclamação feita por criadores. Em todas as propriedades inspecionadas, os equinos que consumiram a ração contaminada adoeceram ou morreram; aqueles que não ingeriram permaneceram saudáveis mesmo alojados nos mesmos estábulos.
Análises dos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) detectaram presença de alcaloides pirrolizidínicos em níveis incompatíveis com a segurança alimentar animal.
A investigação apontou falha no controle da matéria‑prima: resíduos de crotalária entraram no processo de fabricação da ração. Em resposta, o Mapa instaurou processo administrativo fiscalizatório, lavrou auto de infração e determinou, em 4 de julho, a suspensão cautelar da fabricação e comercialização de rações para equídeos. Posteriormente, a medida foi estendida a todos os tipos de ração animal.
Apesar da interdição, a empresa obteve liminar para retomar parte da produção não destinada a equídeos. O Mapa já recorreu da decisão, apresentando novas evidências técnicas que reforçam o risco sanitário e a necessidade de manutenção completa das medidas preventivas.
Entenda:
- Número de vítimas: ao menos 245 cavalos morreram após consumir ração contaminada nos estados de MG, SP, RJ e AL.
- Toxina identificada: alcaloide pirrolizidínico (monocrotalina), presente em sementes e favas da crotalária.
- Origem da contaminação: falha no controle da matéria‑prima na fábrica de Itumbiara (GO), que utilizou lotes com resíduos de crotalária.
- Início das investigações: primeira denúncia recebida pelo Mapa em 26 de maio; coleta e análise de amostras pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA).
- Impacto clínico: lesões hepáticas agudas e danos neurológicos, com evolução rápida e morte em questão de horas.
- Ação do Mapa: processo administrativo fiscalizatório, auto de infração e suspensão cautelar da fabricação e comercialização de rações para equídeos (04/07), depois expandida a todas as rações animais.
- Liminar judicial: empresa obteve autorização para retomar produção não destinada a equídeos; Mapa recorreu argumentando risco sanitário.
- Áreas afetadas: propriedades rurais onde todos os equinos que consumiram a ração sofreram intoxicação, enquanto animais no mesmo ambiente sem acesso à ração permaneceram saudáveis.
