Novo prédio do Shopping Popular de Cuiabá começa a tomar forma

Nesta terça-feira (15) completa um ano do incêndio que consumiu o Shopping Popular de Cuiabá, e os camelôs começaram a usar, em dezembro passado, uma estrutura provisória de 5 mil metros quadrados montada no estacionamento do prédio original: 216 contêineres com capacidade para 600 bancas.

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No mesmo lugar onde havia cinzas há um ano, se forma a nova estrutura do Shopping Popular. (Foto: Primeira Página/ Haillyn Heiviny)

A estrutura, que custa R$ 1,7 milhão ao ano, foi financiada pela associação dos lojistas, com investimento de cerca de R$ 3 milhões. A obra foi acompanhada por órgãos técnicos como o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MT) e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (CAU-MT).

Apesar de mais segura e organizada do que as tendas, o ambiente provisório ainda apresenta limitações. O calor intenso e a ausência de ar-condicionado dificultam o atendimento ao público e o conforto dos trabalhadores.

Novo prédio do Shopping Popular de Cuiabá começa a tomar forma. (Reportagem: Nathália Okde)

“Esse contêiner é melhor do que estar na rua, claro, mas ainda é quente, é improvisado. Só vem aqui quem realmente quer nos apoiar”, comenta Lediane da Silva Oliveira, que perdeu tudo no incêndio e hoje administra duas lojas de armações de óculos no local.

Comerciantes trabalham em estrutura provisória de contêineres. (Foto: Reprodução/Instagram)
Comerciantes trabalham em estrutura provisória de contêineres. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Para manter a estrutura funcionando, cada comerciante arca com uma taxa de condomínio mensal de R$ 1.344.

“Aqui é tudo provisório. Estamos pagando aluguel tanto da tenda quanto dos contêineres. É uma despesa muito alta, mas a gente não desiste”, explica Misael Galvão, presidente da Associação dos Camelôs do Shopping Popular.

Questionado sobre o apoio financeiro recebido após o incêndio, Misael revelou que receberam pouca ajuda financeira. “Na verdade, esperávamos muito mais, mas só tivemos um pequeno capital de giro pela Caixa Econômica para alguns associados. O apoio que tivemos do poder público foi mais moral do que financeiro”, afirma.

Mesmo diante dos desafios, os comerciantes mantêm a esperança. “Recomeçar foi difícil, mas a gente tem fé. O povo cuiabano vem, ajuda, compra. O importante é que estamos aqui, trabalhando, sustentando nossas famílias”, diz Lediane.

Espaço improvisado foi montado no estacionamento do próprio Shopping Popular e tem 5 mil m², com capacidade para 600 bancas, distribuídas em 216 contêineres. (Foto: Primeira Página/ Haillyn Heiviny)
Espaço improvisado tem 5 mil m² e capacidade para 600 bancas, distribuídas em 216 contêineres. (Foto: Primeira Página/ Haillyn Heiviny)

Josiane Régis também reforça esse sentimento: “A expectativa é que se a gente entrar ali no ano que vem, já está ótimo. A estrutura lá era outro nível. Mas, enquanto isso, estamos lutando aqui, com o que temos”.

Segundo Misael, a reconstrução do novo Shopping Popular está em ritmo avançado. “Estamos com 85% da etapa de pré-moldado pronta. Agora entraremos nas fases de elétrica, hidráulica, contrapiso, cobertura e acabamentos. Quando você passa ali pela Beira Rio e vê a estrutura de pé, é sinal de que estamos lutando para ter nosso ganha-pão de volta”, afirma.

A expectativa da associação é concluir a obra até abril de 2026. “Esse shopping não é só nosso [dos camelôs]. É um patrimônio da sociedade cuiabana. Do limão, fizemos a limonada. E seguimos com gratidão a Deus, aos clientes que não nos abandonaram e ao apoio moral que tivemos. Desistir, nunca”, conclui Misael.

Incêndio

O incêndio teve início na madrugada de 15 de julho de 2024. A primeira fumaça foi registrada por câmeras de segurança às 2h26, e os bombeiros chegaram 7 minutos após o chamado, por volta de 2h53.

Incêndio teve início na madrugada de 15 de julho de 2024. (Vídeo: Helena Corezomaé)

Mas naquele curto intervalo o fogo já havia tomado grande parte da estrutura. O tenente-coronel dos bombeiros, Heitor Fernandes da Luz, explicou que o local abrigava muito material combustível, o que contribuiu para a propagação rápida das chamas.

Militares afirmaram que, quando chegaram no local, a parede do segundo piso, que tem 12 metros, estava consumida por chamas que “alcançavam tranquilamente 15 metros de altura”.

Com 160 páginas, o laudo pericial divulgado pela Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica), confirma que o incêndio foi acidental, causado por um superaquecimento elétrico no interior de um box localizado no piso inferior do prédio.

Tenente-coronel dos bombeiros Heitor Fernandes da Luz. (Foto: Mariana Mouro/ TVCA)
Tenente-coronel dos bombeiros Heitor Fernandes da Luz. (Foto: Mariana Mouro/ TVCA)

A investigação pericial analisou imagens de 14 gravadores e mais de 280 câmeras de segurança, além de verificar o funcionamento da central de alarme de incêndio. Também foram considerados os projetos estruturais e elétricos do shopping.

O laudo foi elaborado por quatro peritos com formação em engenharia elétrica, civil e mecânica, e já foi encaminhado à Polícia Civil para compor o inquérito sobre o caso.

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