O pronunciamento do presidente Lula (PT) em rede nacional não foi direcionado para as negociações sobre o tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil, afirmou o economista José Márcio Camargo em entrevista ao programa Poder e Mercado, do Canal UOL.
O discurso do presidente Lula não foi direcionado para onde ele precisa ser direcionado, exatamente para o discurso sobre negociações. Qual é o teor das negociações? O que pode ser negociado? Dado que a carta do presidente Trump é uma carta muito voltada para questões políticas e institucionais.
Isso é que a gente precisa saber para entender para qual caminho isso vai. Na verdade, a minha grande preocupação é que diante dessa falta de sinal de que direção as negociações vão caminhar, se é que vai ter negociação mesmo, porque por enquanto nem isso a gente sabe exatamente se vai acontecer.
A pergunta é: Qual vai ser a reação do presidente Trump? Por enquanto, ainda que você tenha uma tarifa bastante elevada, o efeito sobre a economia brasileira não vai ser excepcional.
Uma razão simples, porque o Brasil é um país fechado, apenas 12% das exportações brasileiras estão dirigidas para os Estados Unidos, as exportações brasileiras correspondem aproximadamente a 2% do PIB, ou seja, nossas projeções dão de que se for adotado uma tarifa de 50%, o efeito vai ser uma queda na taxa de crescimento do PIB da ordem de 0,3% por ano, o que não é um desastre.
José Márcio Camargo, economista
O economista destacou que o governo brasileiro dá sinais que ainda não começou um processo de negociação com o governo americano.
O grande risco é que você gere uma situação de insegurança de tal ordem que você comece a ter fuga de capital da economia brasileira, principalmente de investimentos americanos que são superimportantes para a economia brasileira.
Isso, sim, é o grande risco. Acho que o governo brasileiro precisa tentar evitar, e não existe, por enquanto pelo menos, não só os discursos do presidente Lula, assim como outros discursos que o presidente Lula fez, assim como as negociações feitas internamente, os sinais não são de que vai ter uma negociação muito importante com o governo americano. Na verdade, o governo brasileiro ainda não começou um processo de negociação com o governo americano.
O Brasil está atrasado, outros países todos já estão em processo de negociação há algum tempo, alguns países já assinaram contratos, outros estão em vias de assinar acordos enquanto nós estamos aqui simplesmente brigando contra o Trump.
José Márcio Camargo, economista
O Poder e Mercado é exibido terças e quintas, às 20h, com apresentação de Raquel Landim e comentários de Mariana Barbosa e Graciliano Rocha. O programa de política e economia chega para conectar os grandes temas do Congresso Nacional a seus impactos no mercado financeiro e no dia a dia das pessoas.
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