A fala de Lula é serena, mas firme. E traidores da pátria e Pix trilionário

Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável em forma de ameaça às instituições brasileiras e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos. Contamos com um poder judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal, o princípio da presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa.
É preciso lembrar que foi o Judiciário o Poder atacado na carta pública de Trump a Lula, como se o presidente da República tivesse algum caminho para intervir em decisões do Supremo. Não tem. Lula avança.

Tentar interferir na Justiça brasileira é um grave atentado à soberania nacional.
Pois é… Vejamos o modelo de independência do sistema de Justiça — incluindo Judiciário e Ministério Público — que Trump tem na cabeça. O Departamento de Justiça demitiu ontem a procuradora Maurene Comey, que atuou nos casos do magnata Jeffrey Epstein e do produtor musical Sean “P. Diddy” Combs. Maurene é filha do ex-diretor do FBI James Comey, demitido por Trumo em seu primeiro mandato. Há uma pressão da própria base de Trump que para se divulguem documentos sobre os crimes de Epstein, acusado de tráfico de pessoas e abuso sexual de menores de idade. Voltemos a Lula.

Só uma pátria soberana é capaz de gerar empregos, combater as desigualdades, garantir saúde e educação, promover o desenvolvimento sustentável e criar as oportunidades que as pessoas precisam para crescer na vida. Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem apoio de alguns políticos brasileiros.

São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo.
Que outra qualificação merecem aqueles que, aqui dentro, se ligam a uma potência estrangeira em defesa de medidas que prejudicam a totalidade dos brasileiros? Trump trata Bolsonaro como vítima tanto na carta enviada a Lula como naquela que mandou ao próprio ex-presidente. Alimenta a sua vaidade e o faz afundar um pouco mais. É claro que está se lixando para aquele senhor exótico, que diz coisas incompreensíveis. Usa-o para atacar as instituições do Brasil e para tentar subordinar a economia e o mercado brasileiros a seus interesses. E Bolsonaro se presta a esse papel ridículo.

Minhas amigas e meus amigos, a defesa da nossa soberania também se aplica à atuação das plataformas digitais estrangeiras no Brasil. Para operar o nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras. No Brasil, ninguém, ninguém está acima da lei.

É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes e, em alguns casos, levando à morte, e desacreditar as vacilas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas.
Resta evidente que, mais do que Bolsonaro, são as big techs a figurar na raiz das pressões contra o Brasil. E Trump, o que se pretende imperador — mas só do “Mundo Livre”, como se diz lá na Casa Branca — citou tais empresas na carta endereçada a Lula, sendo ele próprio dono de uma delas.

Minhas amigas e meus amigos, estamos nos reunindo com representantes dos setores produtivos, sociedade civil e sindicatos. Esta é uma grande ação conjunta que envolve a indústria, o comércio, o setor de serviço, o setor agrícola e os trabalhadores.

Estamos juntos na defesa do Brasil e faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo e vai à luta para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer. Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo.
O mínimo que se espera de um governante é que chame a atenção do povo para uma agressão que atinge a todos. Exceção feita àqueles que esperam obter dividendos políticos com o ataque à soberania do país, quem sai ganhando com ele?

Minhas amigas e meus amigos, a primeira vítima de um mundo sem regras é a verdade. São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais brasileiras. Os Estados Unidos acumulam há mais de 15 anos o robusto superavit comercial de 410 bilhões de dólares. O Brasil hoje é referência mundial na defesa do meio ambiente.

Em dois anos, já reduzimos pela metade o desmatamento da Amazônia e estamos trabalhando para zerar o desmatamento até 2030. Além disso, o Pix é do Brasil. Não aceitaremos ataque ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo

Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo e vamos protegê-lo. Minhas amigas e meus amigos, quando tomamos posse na Presidência da República, em 2023, encontramos o Brasil isolado do mundo. Nosso governo, em apenas dois anos e meio, abriu 379 novos mercados para os produtos brasileiros do exterior.
Não há uma única mentira ou imprecisão no que vai acima. Nesse caso, Lula faz referência à investigação aberta pelos Estados Unidos com base na chamada Seção 301. Sim, o Pix é um dos alvos. Tal meio de pagamento movimentou R$ 65 trilhões desde a sua criação. Não é dinheiro de pinga. Estamos a falar de US$ 12 trilhões. Também o agronegócio brasileiro está na mira. E, para tanto, Trump pretexta razões ambientais, lavando o seu protecionismo com um súbito cuidado com o meio ambiente, área que ele sabidamente despreza.

Estamos construindo parcerias comerciais com a União Europeia, a Ásia, a África e nossos vizinhos da América Latina e do Caribe. Se necessário, usaremos todos os instrumentos legais para defender a nossa economia, desde recursos à Organização Mundial do Comércio até a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.

Minhas amigas e meus amigos, não há vencedores em guerras tarifárias. Somos um país de paz, sem inimigos. Acreditamos no multilateralismo e na cooperação entre as nações. Mas que ninguém se esqueça, o Brasil tem um único dono, o povo brasileiro.

Muito obrigado!”
É igualmente verdadeiro que, em dois anos e meio, o governo Lula abriu 379 novos mercados para a produção brasileira mundo afora. Pária, orgulhosamente pária, era o país sob a diplomacia de Jair Bolsonaro.

ENCERRO
Lula tinha a obrigação de fazer esses esclarecimentos. E os fez. O Brasil ainda quer negociar. Mas não pode escolher a desonra sob a justificativa de que o conflito seria pior. A lição vem de um conservador: Churchill. Quem, entre a desonra e a guerra, nem que seja comercial, escolhe a desonra acaba ficando com a guerra.

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