O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi alvo hoje de uma operação da Polícia Federal após a determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O que aconteceu
Bolsonaro terá de usar tornozeleira eletrônica. Ele foi para a superintendência da PF para colocar o dispositivo.
Também não poderá se comunicar com outros réus e investigados, caso do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O filho do ex-presidente está nos Estados Unidos e é o principal elo do bolsonarismo com o governo de Donald Trump.
Outras medidas cautelares determinadas por Moraes são:
- recolhimento domiciliar das 19h às 6h e aos finais de semana;
- está proibido de se comunicar com embaixadores e diplomatas estrangeiros
- não pode se aproximar de embaixadas (em novembro de 2024, Bolsonaro disse ao UOL que era vítima de perseguição e não descartou se refugiar em uma embaixada em caso de prisão decretada ao final do processo penal);
- está proibido de ter contato com outros réus e investigados;
- não pode ter acesso às redes sociais.
“Suprema humilhação”, disse Bolsonaro aos jornalistas momentos após colocar a tornozeleira eletrônica na Seap (Secretaria de Administração Penitenciária), em Brasília. Ele repetiu o discurso de que não tentou dar um golpe de Estado.
“Bolsonaro recebeu com surpresa e indignação a imposição de medidas cautelares severas contra ele”, disse a defesa. “Até o presente momento, [Bolsonaro] sempre cumpriu com todas as determinações do Poder Judiciário. A defesa irá se manifestar oportunamente, após conhecer a decisão judicial”, afirmou, em nota.
A suspeita é de crimes de coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ataque à soberania nacional. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão nas casas do ex-presidente em Brasília e no Rio de Janeiro e à sede do PL.
A PF solicitou a operação em 11 de julho, dois dias após Trump anunciar o ‘tarifaço’ contra o Brasil. A PGR (Procuradoria-geral da República) deu parecer favorável à representação da PF, e Moraes determinou o cumprimento.
A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (18/7), em Brasília, dois mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, em cumprimento a decisão do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da PET n.º 14129.
Polícia Federal, em nota
O que diz o PL
“Se o presidente Bolsonaro sempre esteve à disposição das autoridades, o que justifica uma atitude dessa?”, afirmou o PL, partido que também foi alvo da PF. “O Partido Liberal manifesta estranheza e repúdio diante da ação da Polícia Federal realizada nesta sexta-feira (18), que incluiu mandados de busca na residência do presidente Jair Bolsonaro e na sala que ocupa na sede nacional do partido”, escreveu o presidente do partido, Valdemar Costa Neto.
O PL considera a medida determinada pelo Supremo Tribunal Federal desproporcional, sobretudo pela ausência de qualquer resistência ou negativa por parte do presidente Bolsonaro em colaborar com todos os órgãos de investigação. Reafirmamos nossa confiança no presidente Jair Bolsonaro, seu compromisso com o Estado Democrático de Direito e com a verdade.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL

Operação acontece após carta de Trump
Medidas acontecem após presidente dos EUA, Donald Trump, enviar carta a Bolsonaro atacando processo judicial. Ontem, Trump publicou nas redes sociais uma carta em que diz que o ex-presidente brasileiro está recebendo um “tratamento terrível pelas mãos de um sistema injusto”.
Bolsonaro é réu pela trama golpista, que está sendo julgada no STF. Nesta semana, a PGR (Procuradoria-Geral da República) apresentou as alegações finais, uma das últimas etapas do processo. As defesas ainda poderão se manifestar antes do julgamento, que pode condenar ou absolver o ex-presidente por crimes que somam mais de 40 anos de prisão.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente e deputado federal licenciado, está nos EUA desde o começo do ano fazendo lobby por sanções a autoridades brasileiras. A esperança do político é reverter uma possível sentença desfavorável contra o pai.
Bolsonaro descartou fuga
Ex-presidente afirmou a aliados que uma fuga para os EUA não está em seus planos porque ele não suportaria ficar longe de Michelle Bolsonaro. A informação foi publicada nesta semana, pela colunista da Folha Mônica Bergamo.
Em fevereiro de 2024, Bolsonaro ficou na embaixada da Hungria em Brasília. Em 8 de fevereiro do ano passado, a PF apreendeu o passaporte de Bolsonaro, e o premiê de extrema direita húngaro, Viktor Orban, publicou uma mensagem de solidariedade a ele nas redes sociais. Na mesma semana, no dia 12, Bolsonaro foi à embaixada acompanhado de seguranças e passou dois dias no local.
Embaixada, pelo que eu vejo a história do mundo, né, quem se vê perseguido pode ir para lá.
Bolsonaro ao UOL, em 2024


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