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Deixar tudo nas mãos de Bolsonaro corresponde a terceirizar o futuro a um fake Messias. Cultor do bolsonarismo dogmático, Tarcísio aceita todas as presunções de Bolsonaro a seu próprio respeito. Isso inclui concordar que o guia messiânico pode vender a pátria ao Diabo-Laranja em troca de sua impunidade criminal.
Bolsonaro alega não ter nada a ver com o golpe de estado que deixou o Brasil à beira do abismo autocrático. Nunca sabe de nada. Não sabe nem mesmo o que tem dentro do pen drive que os rapazes da PF acharam no seu banheiro, na última sexta-feira. Mas diz cotidianamente a Tarcísio como escovar os dentes. Ou como redigir um post.
Em sua penúltima postagem, o governador de São Paulo compadeceu-se da “humilhação suprema” que Alexandre de Moraes e a Primeira Turma do Supremo infligiram ao “mito”, grudando uma tornozeleira na perna dele e trancando-o em casa à noite e nos finais de semana.
“Não haverá pacificação enquanto não encontrarmos o caminho do equilíbrio”, postou Tarcísio. “Não haverá paz social sem paz política, sem visão de longo prazo, sem eleições livres, justas e competitivas. A sucessão de erros que estamos vendo acontecer afasta o Brasil do seu caminho.”
Coragem é um atributo que quem conhece Jair Bolsonaro sabe que nunca lhe faltou. Não faltou quando atentaram contra a sua vida. Não faltou para lidar com as crises sem precedentes que este país passou quando ele era presidente. Não faltou para defender a liberdade, valores,?
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) July 18, 2025
Já se sabia que Tarcísio comprometeu-se a conceder indulto ao futuro presidiário se conseguir subir a rampa do Planalto. Descobre-se agora que duvida da legitimidade das eleições brasileiras e enxerga a democracia do país como um sistema mequetrefe. Mais um pouco e segue a orientação para atacar as urnas e exigir o voto impresso e auditável.
Bolsonaro foge da verdade como o gato corre da água fria. Mas Tarcísio, teleguiado, trata seu criador como o político mais corajoso que já conheceu. Avalia que não lhe faltou coragem para “defender a liberdade, valores, ideais e combater injustiças.” Refere-se a Bolsonaro como um democrata de mostruário. “Estamos e seguiremos ao seu lado.”
Falta ao mundo um estudo científico sobre a influência das mães na longevidade da raça humana. De um modo ou de outro, vivem mais as pessoas que se adaptam aos conselhos de suas mães. Um dos conselhos vitais de qualquer mãe é: “Cuidado com as más companhias.”
Na cartilha de uma boa mãe, as más companhias são mais perigosas do que germe de corrimão, sujeira de cédula de dinheiro, vento encanado e manga com leite. Tarcísio obviamente não ouviu todas as recomendações de sua mãe.
Bolsonaro empurrou Tarcísio para a disputa do governo de São Paulo quando todos consideravam sua candidatura inviável. Poderia conviver com capitão por uma visão míope de gratidão. Qualquer mãe entenderia isso. Mas ir atrás do Bolsonaro, cortejar o Bolsonaro, macaquear o Bolsonaro na idolatria a Trump, condicionar a viabilidade do sonho presidencial à impunidade do Bolsonaro… Aí já é demais!
Alguma liderança da direita nacional —Gilberto Kassab?— deveria assumir a função de mãe de Tarcísio. Só para dizer: “Queime em praça pública o boné do ‘Make America Great Again’! Afaste-se do Bolsonaro, meu filho! Rápido! Ele coloca a família dele acima de tudo, Trump acima de todos! Afaste-se enquanto é tempo! É para o seu próprio bem, meu filho.”

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