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Em outras palavras, Trump teria fragmentado o Supremo para tentar imperar, segundo a velha fórmula de Júlio César: “divide et impera” (dividir e conquistar).
Hoje, a pergunta que não quer calar envolve o valor-dever da solidariedade e os princípios da deontologia no exercício ético da magistratura no Supremo.
Ou seja: haverá solidariedade para com os colegas excluídos do baile do Mickey?
Qual será a conduta ética e a postura dos três ministros cujos vistos de entrada nos EUA não foram revogados?
Nelson Rodrigues e Otto Lara
O caso remete à famosa polêmica entre dois grandes jornalistas e escritores: Nelson Rodrigues e Otto Lara Resende.
Na peça “Bonitinha, mas Ordinária”, sucesso de bilheteria, Nelson colocou na boca do protagonista Edgard a seguinte frase: “O mineiro só é solidário no câncer”.
Em razão dos protestos, Nelson disse se tratar de frase do mineiro Otto Lara. Ele negou veementemente, mas a amizade entre os dois nunca foi partida.
Os ministros do STF só seriam solidários no câncer? Espera-se que não.
Neste momento, tramita na Primeira Turma do Supremo um processo criminal em fase de alegações finais.
As acusações são gravíssimas, como amplamente divulgado.
Segundo a denúncia, os réus tentaram um golpe de Estado, agindo em organização criminosa violenta, disposta até ao assassinato de autoridades.
Igualmente graves são as atitudes de Trump, que desrespeita a Carta da ONU, ao atentar contra a soberania de Estados-membros como o Brasil.
Trump atacou nossa soberania. Considerou o STF um balcão de negócios e propôs a impunidade total a Jair Bolsonaro em troca da suspensão do tarifaço sobre produtos brasileiros exportados aos EUA.
Atenção: os 11 ministros do Supremo deveriam olhar além dos seus passaportes com vistos norte-americanos. Deveriam considerar como o Estado brasileiro está sendo tratado.
A ética pública recomenda que, em nome da pátria, os ministros não atingidos pela retaliação entreguem voluntariamente seus vistos. No popular: deveriam rasgá-los.
Essa é a ética do respeito ao Brasil. É isso que se espera dos três ministros poupados da “vendetta” (vngança) trumpista.
Importa lembrar: neste exato momento, Eduardo Bolsonaro, em aliança com o pai Jair e movido por interesses familiares, comete crimes continuados de lesa-pátria. É o novo traidor da história do Brasil —figura comparável a Joaquim Silvério dos Reis, o delator dos inconfidentes mineiros.
Togas solidárias
Além da dimensão ética, impõe-se agora o valor da genuína solidariedade aos ministros atingidos, diante da retaliação ofensiva à soberania nacional.
A “vendetta” de Trump se materializou na revogação dos vistos de entrada nos EUA, conforme anunciou o secretário de Estado Marco Rubio.
Os barrados do baile do Mickey —com o ministro Alexandre de Moraes à frente— não poderão entrar em território americano.
Por outro lado, foram poupados os dois ministros indicados por Jair Bolsonaro: Nunes Marques e André Mendonça. Outro não atingido foi o ministro Luís Fux, indicado após um movimento que excluiu o então enrolado José Dirceu.
Segundo a lógica de Trump, apenas esses três não participam da “caça às bruxas”, não violam a liberdade de expressão, não perseguem empresas ou cidadãos americanos.

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