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Os setores do agronegócio mais afetados pelo tarifaço de Donald Trump contrataram escritórios de lobby nos Estados Unidos. Eles vão se unir ao setor privado norte-americano para tentar costurar uma solução.
O que aconteceu
A iniciativa foi adotada por produtores de açúcar, café, carne e suco. A intenção é unir forças com o setor privado americano para fazer chegar a Trump que a economia dos Estados Unidos também sairá perdendo com as sobretaxas de 50%, revelaram parlamentares da bancada ruralista.
O argumento será mostrar que o tarifaço ameaça empregos nos Estados Unidos. Um deputado que representa o agro brasileiro contou que será argumentado a Trump que há risco de aumento de preços nos produtos agrícolas que o país compra do Brasil.
O trabalho já começou. Os escritórios de lobby contratados pelo agro brasileiro estão apresentando estudos para empresários das cadeias de produção de seus setores nos Estados Unidos.
O passo seguinte é visitar congressistas americanos. O país aceita financiamento privado e as associações do agronegócio são bem-organizadas. Financiam campanhas e têm capacidade de pressão.
O plano é essas entidades convencerem os congressistas que ajudaram a eleger sobre os prejuízos para a economia. Um deputado brasileiro deu um exemplo a ser usado. Ele contou que o café da manhã dos americanos ficará mais caro porque o suco de laranja e o café serão sobretaxados.
Terminada esta fase, os congressistas americanos acionam o governo Trump. A expectativa é que eles consigam sensibilizar as autoridades a reverter o tarifaço ou ao menos adiar seu início.
Governo brasileiro conta com setor privado
O governo Lula tem visto o apoio do setor privado como um dos principais trunfos para a negociação. A gestão petista entende que o endosso do empresariado, muitas vezes não muito ligado às pautas governistas, pressiona por negociações no Brasil e nos Estados Unidos.
Empresários norte-americanos têm reclamado das tarifas. A maior entidade de empresários do mundo, a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, se uniu a empresários brasileiros para pedir o fim das tarifas. A instituição tem hoje quase 3 milhões de associados e é um dos principais grupos de lobby do setor privado no país.
A interlocução do governo com os empresários é feita por Geraldo Alckmin (PSB). O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio coordena o comitê que trata do assunto e teve reuniões com representantes de indústria, agronegócio, mineração e outros setores ao longo da semana.
O setor produtivo se mostrou muito mais interessado no diálogo do que na reciprocidade nestas conversas. Empresários não fizeram uma fala pública contra a estratégia de retaliação, que o presidente Lula (PT) tem deixado claro que não descarta, mas insistiram que a solução deve ser pela diplomacia.
Alckmin afirmou que vai seguir com a negociação e não descartou um pedido de prorrogação do prazo. “É urgente. O bom é que se resolva nos próximos dias. Se houver necessidade de prorrogar, não vejo problema.”
O desejo é reiterado pelo setor privado brasileiro. “Esperamos que essa seja a via [diplomacia] que aconteça”, afirmou Abrão Neto, presidente da AmCham Brasil (Câmara Americana de Comércio para Brasil), após a reunião. “O nosso desejo unânime é de se buscar uma construção, uma solução negociada de maneira a impedir o aumento tarifário.”

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