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“A gente é o último da fila para poder dar o lance. A gente só pode dar o lance caso o governo federal não der, caso o governo estadual não der, aí sobra uma oportunidade para a gente fazer esse processo”, explicou Abilio.
A declaração vem na esteira da decisão do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), que autorizou a venda do imóvel para quitar cerca de R$ 48 milhões em passivos trabalhistas acumulados por mais de cinco anos.
A medida foi autorizada pelo juiz Ângelo Henrique Pires Cestari, que considerou o compromisso do governo do Estado de desocupar o prédio até dezembro de 2025. A alienação está sendo feita por iniciativa particular, com valor mínimo fixado em R$ 54,7 milhões — cerca de 70% da avaliação total do prédio, estimada em R$ 78,2 milhões.
Segundo o prefeito, a queda no valor do imóvel pode atrair interessados. “Parece que a própria presidente do TRT, com o juiz responsável pela situação, colocou 70% já a menos do valor avaliado do imóvel. Então parece que já lançou R$ 57 milhões. O pedido do avaliador era de R$ 70 milhões. Eu não acredito que não vai ter lance no valor de R$ 57 milhões, ainda que seja inicial. Acredito que vai cair.”
A negociação pela compra da Santa Casa envolve uma série de restrições e obrigações. A União, o Estado de Mato Grosso e o Município de Cuiabá têm direito de preferência, mas devem seguir as condições do edital: 25% do valor proposto precisa ser depositado em até 48 horas, e os 75% restantes após o fim da requisição administrativa, prevista para o fim de 2025. O imóvel, com fachada tombada como patrimônio histórico, será entregue livre de dívidas tributárias, mas sem os equipamentos médicos ou mobiliário hospitalar.
Em reunião recente com o TRT e o Tribunal de Contas, o prefeito já havia demonstrado disposição em assumir a gestão da unidade, desde que o imóvel fosse adquirido por algum ente público. “Na ausência de interesse de compra por parte do Governo Federal ou Estadual, ou se não houver lance no leilão, a Prefeitura poderá assumir. O que temos conversado com o Estado é sobre uma estratégia para garantir que a Santa Casa não pare”, afirmou na ocasião.
O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que participou do encontro representando o governador Mauro Mendes (União), confirmou que o Estado ainda estuda a viabilidade de participar da compra. “Temos disposição, e com o Abilio estamos confiantes de que as parcerias vão funcionar e que a saúde de Cuiabá vai melhorar muito. O que for necessário e de interesse público, tenho certeza de que será feito.”
Atualmente, o prédio da Santa Casa está sob gestão judicial, com o aluguel pago pelo Estado sendo destinado à quitação das dívidas trabalhistas. O juiz auxiliar da presidência do TRT-MT, Ediandro Martins, ressaltou a urgência da venda, lembrando que a dívida cresce cerca de R$ 7 milhões por ano por conta da correção pela taxa Selic, hoje em 15%. “O tempo trabalha contra o devedor neste caso”, afirmou.

Abilio indica que pode dar lance por Santa Casa se Estado e União não quiserem: “último da fila”
O prefeito Abilio Brunini (PL) indicou que a Prefeitura de Cuiabá poderá dar um lance para adquirir o imóvel da Santa Casa de Misericórdia, atualmente à venda por R$ 54 milhões. No entanto, o gestor explicou, durante entrevista coletiva na última semana, que o município só poderá agir caso os governos estadual e federal não manifestem interesse na aquisição.
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