Deputado critica proposta para vetar recursos municipais ao Carnaval de Cuiabá: ‘é tradição’

O deputado estadual Júlio Campos (União) classificou como “radical” a proposta do vereador Rafael Ranalli (PL) de proibir o uso de recursos municipais para o Carnaval de Cuiabá pelos próximos quatro anos. Para Campos, a medida ignora a importância cultural e econômica da festa, que faz parte da tradição cuiabana e deve contar com investimentos do Poder Público.

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A polêmica foi debatida na Câmara de Cuiabá nesta terça-feira (25), quando os vereadores rejeitaram um requerimento de urgência para a votação do projeto de lei. Embora a proposta tenha recebido 19 assinaturas para ser encaminhada ao plenário, não houve apoio suficiente para sua apreciação antes do Carnaval deste ano.
“O Carnaval é uma questão cultural brasileira. Muitos estados vivem da economia do Carnaval. Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, todos têm festividades que movimentam a economia. Em Cuiabá, sempre tivemos uma tradição de Carnaval de rua. Mesmo com a crise econômica, há recursos destinados à festa. Outros deputados também estão colaborando e não há razão para impedir esse investimento”, afirmou Campos.
Ranalli argumentou que a medida visa preservar recursos públicos e destacou que o prefeito Abilio Brunini (PL) já decidiu não destinar verbas municipais para o evento deste ano. “Não sou contra a festa, sou contra o uso de dinheiro público. A arrecadação com ISSQN [Imposto sobre Serviços] não cobre esses gastos. A venda da latinha, do vendedor de rua, não gera receita direta para a Prefeitura”, justificou.
O vereador também citou dados sobre o aumento da violência e outros impactos sociais durante o período carnavalesco. “Denúncias de violência doméstica cresceram 38% no Carnaval do ano passado. A violência contra crianças subiu 20%. Além disso, há aumento de acidentes, superlotação de UPAs e hospitais, crescimento de doenças sexualmente transmissíveis e gestações indesejadas”, declarou.
Durante a sessão, a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Lorenna Bezerra, criticou a proposta e defendeu o impacto econômico positivo do Carnaval. “A economia não se sustenta apenas na arrecadação de impostos. Muitos comerciantes dependem dessas datas sazonais para garantir seu sustento”, afirmou.
Campos reforçou sua posição contra a proposta de Ranalli e destacou a importância da Secretaria de Cultura para a realização de eventos tradicionais. “A Secretaria existe para fomentar eventos culturais. O Carnaval faz parte da cultura cuiabana. Eu mesmo já garanti apoio ao Carnaval da Praça da Mandioca, que ocorre há 52 anos. Se não houver verba pública, buscaremos mobilização para manter a tradição viva”, concluiu.

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