Justiça mantém prisão preventiva do rapper Oruam, indiciado por sete crimes no Rio

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu manter, nesta quarta-feira (23), a prisão preventiva do rapper Mauro Davi Nepomuceno dos Santos, conhecido como Oruam. A decisão foi tomada durante audiência de custódia, após sua prisão no contexto de um episódio violento ocorrido na zona oeste da cidade.

oruam preso pela segunda vez em uma semana
Oruam segue preso por decisão da Justiça do Rio; rapper responde por sete crimes (Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo)

O artista foi indiciado por sete crimes, incluindo associação ao tráfico, tráfico de drogas, resistência, desacato, lesão corporal, ameaça e dano. Os delitos teriam sido cometidos na última segunda-feira (21), em frente à casa de Oruam, no bairro do Joá. Segundo a Polícia Civil, o cantor teria liderado um grupo que impediu a atuação de agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que cumpriam um mandado de apreensão contra um adolescente ligado a uma facção criminosa.

A juíza Rachel Assad da Cunha justificou a manutenção da prisão afirmando que não cabe à Central de Custódia rever a decisão anterior que autorizou a detenção. “A pretensão defensiva deve ser dirigida ao juízo natural ou ao órgão recursal competente”, afirmou na decisão.

De acordo com os relatos policiais, o rapper e outros oito indivíduos teriam hostilizado os agentes com insultos e jogado pedras na viatura descaracterizada. Parte da ação foi registrada pelo próprio Oruam e divulgada em suas redes sociais, onde também acusou os policiais de abuso e declarou que estaria sendo perseguido.

Os policiais afirmam que um dos suspeitos correu para dentro da residência do rapper, o que levou a equipe a entrar no imóvel. Na ocasião, o homem foi preso em flagrante. Já Oruam teria fugido do local e, nas redes sociais, desafiado as autoridades ao declarar que estaria no Complexo da Penha, tradicional reduto do Comando Vermelho, e que “queria ver” a polícia prendê-lo ali.

Na tarde de terça-feira (22), o cantor se apresentou voluntariamente na Cidade da Polícia, onde foi preso. O Ministério Público se manifestou favoravelmente à sua prisão preventiva.

Oruam é filho de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos principais líderes do Comando Vermelho, atualmente preso. A conexão familiar e a gravidade das acusações aumentam a repercussão do caso, que se desenrola num momento de crescente tensão entre forças de segurança e figuras associadas ao tráfico no estado.

A prisão preventiva, por lei, não tem prazo determinado e deverá ser revisada pela Justiça a cada 90 dias. A defesa do rapper ainda não se pronunciou oficialmente sobre os próximos passos jurídicos.

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