Analista: Lula se beneficia de onda anti-EUA, mas pode se dissipar até 2026

As tarifas de exportação em 50% impostas ao Brasil pelo presidente Donald Trump criaram um sentimento antiamericano que beneficia Lula, mas que pode se dissipar até o ano de 2026, analisou Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, em entrevista ao Mercado Aberto de hoje, no Canal UOL.

A aposta para 2025 é fácil, a aposta para 2026 é mais difícil. O presidente Lula está se beneficiando de uma onda nacionalista antiamericana e a aprovação dele já tem subido entre três a cinco pontos percentuais.

Ao mesmo tempo, o ex-presidente Jair Bolsonaro sai perdendo, porque ele está associado, e os filhos dele, a um movimento que prejudica a economia brasileira, retira empregos do Brasil. Então, esse equilíbrio, esse ganha e perde está claro, mas eu diria que 2026 está mais incerto, porque esse tipo de fenômeno tende a ter um prazo de validade.

Então, o sentimento antiamericano beneficiando Lula pode se dissipar em 2026 e, ao mesmo tempo, vamos ter que ficar de olho no tamanho do estrago econômico que nós vamos ter.
Christopher Garman

O diretor-executivo da Eurasia Group disse que se houver escalada na taxação de 50% e o custo econômico aumentar, Lula pode enfraquecer para 2026. E na oposição, Jair Bolsonaro deverá escolher um de seus filhos para representa-lo nas eleições presidenciais.

Se fica só no 50% sem escalada, o custo econômico é mais modesto. Se temos um período de escalada, o custo econômico pode ser maior, porque o câmbio pode se balançar mais, e para o Lula em 2026, com o ganho de nacionalismo dissipando ao longo do tempo e o impacto econômico se sentindo, pode não se beneficiar tanto.

Em termos do campo da oposição, eu diria que a maior repercussão é que tende a reforçar a disposição do Bolsonaro escolher um dos seus filhos para representa-lo no ano que vem.

Todo esse episódio, eu acho que para família Bolsonaro mostrou que quando o governador Tarcísio de Freitas criticou as tarifas, tentava negociar a redução, quando a família ainda não estava nessa posição, acho que mostrou pra família que talvez quando o bicho pega, as dificuldades vêm, ele não mantém a linha de lealdade tão grande.
Christopher Garman

Garman explicou também que a Eurasia Group prevê dois cenários para a relação entre Brasil e Estados Unidos, um básico, onde o governo nacional não reage com retaliações, e um alternativo, com escalada.

O cenário básico que nós temos na Eurásia é, as tarifas ficam, possivelmente petróleo e minerais críticos são exclusos, porque isso foi excluído de outros acordos, e, crucialmente, o governo brasileiro não reage com retaliações.

A gente tem escutado que o governo brasileiro, acho que corretamente, tem muito temor de qualquer retaliação que possa induzir uma resposta do governo Trump.

Mas, o nosso cenário alternativo, que é uma probabilidade muito próxima do cenário base, porque é difícil cravar, é que tenhamos uma escalada, sim. A gente espera que algo a mais vem da Casa Branca nessas nossas próximas semanas.

Provavelmente, a implementação da Lei Magnitsky contra membros do Supremo Terminal Federal, a Lei Magnitsky é uma lei dura, você tem congelamento de ativos financeiros dos indivíduos que são atingidos pela lei, mas também congelamento nos Estados Unidos, mas também instituições financeiras que detêm contas desses indivíduos podem estar passíveis de sanções secundárias, se for o caso.
Christopher Garman

Para o executivo, se o STF condenar Jair Bolsonaro a prisão, Donald Trump pode aumentar ainda mais as taxas de 50% impostas ao Brasil, pressionando o Palácio do Planalto.

E também o governo Trump, se o Supremo Tribunal Federal condenar o presidente Jair Bolsonaro em setembro e for preso, pode aumentar as tarifas ainda mais, além do 50%. Se isso ocorrer, a pressão para o Palácio do Planalto fazer algo aumenta, e se o Palácio do Planalto fazer uma retaliação, pode levar uma contrarreação do governo Trump. Esse é um cenário de escalada.

O nosso cenário é, ou fica onde está e tenta negociar algumas exceções ao longo do tempo, sem escalada, ou escala. O cenário de você chegar a um acordo para reduzir as tarifas está com a probabilidade muito baixa, de 10, 15% para esse cenário nesses próximos meses.
Christopher Garman

O Mercado Aberto vai ao ar de segunda a sexta-feira no UOL às 8h, com apresentação de Amanda Klein, antecipando os principais movimentos do mercado financeiro.

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