Senador Marcos Do Val dribla bloqueio de passaporte pelo STF e vai aos EUA

O UOL confirmou que a entrada de Marcos do Val em território americano, em 23 de julho de 2025, consta no sistema da alfândega dos Estados Unidos.

Procurado pelo UOL, Do Val confirmou que está nos Estados Unidos e disse que a decisão do STF que bloqueou seus passaportes é ilegal.
“Só poderiam tirar meu passaporte diplomático se eu tivesse sido acusado pela PGR [Procuradoria-Geral da República], condenado pelo STF, se a condenação tivesse sido validada pelo plenário. Se eu perdesse o mandato, fosse para cadeia, eu entregaria o passaporte. Aconteceu isso? Não. Então quem violou o quê? Eles [ministros] violaram a Constituição.”

Do Val é investigado pelos crimes de divulgação de documento confidencial, associação criminosa, abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

Em março, o STF rejeitou por unanimidade um recurso do senador tentando desbloquear seu passaporte. Seu passaporte normal e seu passaporte diplomático continuam bloqueados.

De acordo com fontes da Polícia Federal, o passaporte normal de Marcos do Val foi apreendido e bloqueado no sistema em agosto de 2024, mas o passaporte diplomático continuou com o senador. Ele disse que não estava com o documento na ocasião.

Procurados, a Polícia Federal e o STF ainda não responderam se o senador violou as medidas cautelares e nem sobre as acusações que fez às autoridades. O STF, por sua vez, disse, na noite de ontem, que não havia “informações atualizadas” sobre Do Val e que “vários processos contra o citado parlamentar são sigilosos”.

O Itamaraty disse que não tem conhecimento da saída de Do Val e que o tema é de competência da Polícia Federal.

“Estou dentro da lei, seguindo a lei. Se tinha um bloqueio, como é que eu saí? Tem que perguntar pra Polícia Federal. Ligue para a Polícia Federal e pergunte”, afirmou o senador. “Isso vai mostrar que Alexandre está derrotado, já acabou. Acabou Alexandre. A decisão é ilegal”, afirmou à reportagem.

O senador enviou à reportagem três arquivos que, supostamente, embasariam sua entrada nos Estados Unidos. Os PDFs, apócrifos, são “Parecer Jurídico sobre a Ilegalidade da Suspensão do Passaporte do Senador Marcos do Val”, “Ofício Direitos Humanos Suíça” e “Cumprir Ordens Ilegais”. Nenhum deles se trata de um documento oficial.

Após a publicação da reportagem, o senador divulgou uma nota em que reitera que se encontra “com toda a documentação diplomática e consular plenamente regular”. “Meu passaporte diplomático, emitido pelo Ministério das Relações Exteriores, está válido até julho de 2027 e sem restrição. Além disso, meu visto oficial de entrada nos Estados Unidos foi recentemente renovado, com validade até 2035.”

Ele diz que informou ao Senado e a “todas as autoridades de direito” de sua viagem “com a devida antecedência”. “Até o momento, não há qualquer decisão judicial válida que restrinja a minha liberdade de locomoção.”

O UOL confirmou com o Senado que ele informou sobre seu afastamento. O ato, no entanto, não depende de deferimento do presidente da Casa.

Sem armas e sem redes sociais

Também em março deste ano, Moraes liberou aparelhos eletrônicos do senador, mas manteve retida uma pistola Glock calibre .380. Os aparelhos e a arma foram apreendidos pela PF em junho de 2023, quando o senador foi alvo de uma operação por ter declarado que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o coagiu a participar de uma tentativa de golpe de Estado no final de 2022.

Do Val também continua com as redes sociais suspensas. A medida foi determinada por Moraes em junho do ano passado, quando o senador passou a ser investigado por suspeita de participar da intimidação contra o delegado Fábio Shor, da PF, que atuou no inquérito da tentativa de golpe e outras investigações contra Bolsonaro e aliados.

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