Eduardo vê Motta e Alcolumbre na mira de sanções dos EUA, e Gleisi reage

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu a possibilidade de novas sanções contra autoridades brasileiras, incluindo os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu dizendo que se trata de “um crime intolerável contra a soberania e a democracia no Brasil”.

O que aconteceu

Eduardo disse que solicitou a Donald Trump novas sanções contra políticos brasileiros e que o presidente americano está monitorando Alcolumbre e Motta. Em entrevista ao canal Oeste, Eduardo disse que encaminhou relatórios para Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, pleiteando o cancelamento de vistos não somente de ministros da Suprema Corte, o que já ocorreu, mas também do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, e que espera que outra autoridades sejam sancionadas.

A cabeça do Trump é completamente imprevisível. A gente vai ver o que vai acontecer. Mas tenham uma certeza, não estou ameaçando os agentes ou os delegados da Polícia Federal. Estou trazendo uma exata dimensão da realidade: os senhores serão sancionados. E sanção não é só não poder entrar nos Estados Unidos. É não ter contas bancárias, são coisas mais severas, vocês serão impedidos de abrir uma conta no Gmail, uma conta na Uber.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em entrevista ao Oeste Com Elas

Gleisi Hoffmann disse que Eduardo ameaça os presidentes da Câmara e do Senado e o acusou de crime de lesa-pátria. “A conspiração desse traidor da pátria com os agentes de Donald Trump descamba para uma chantagem cada vez mais indecente”, escreveu em post no X.

Perderam a eleição, nunca reconheceram o resultado, tentaram dar um golpe, assassinar o presidente eleito, e agora querem uma intervenção estrangeira no Judiciário e no Congresso do nosso país. E ainda querem se passar por vítimas. Esse crime de lesa-pátria não pode ficar impune. Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais

Fala acontece após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedir impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Eduardo acredita que o Alcolumbre vê com bons olhos a proposta do seu irmão e está incomodado com “intervenções do STF” no Congresso Nacional. “Reclamou publicamente e quer evitar que tudo que o Congresso decida tenha uma última palavra do STF”, disse o deputado.

O Davi Alcolumbre está no foco do governo americano e tem a possibilidade de não ser sancionado se não der respaldo a esse regime. E também o Hugo Motta, porque na Câmara dos Deputados tem a novidade da lei da anistia — impeachment de ministro fica a cargo da presidência do Senado, anistia fica a cargo da Câmara. Tenho certeza de que Alcolumbre e Hugo Motta não são pessoas iguais a Alexandre de Moraes. […]. Eles têm que prestar atenção ao que está acontecendo aqui.

Se o Brasil não conseguir pautar a anistia, não pautar o impeachment de Alexandre de Moraes, a coisa ficará ruim. E Moraes pode muito bem renunciar, ser professor em uma universidade europeia, falar com Lula, virar embaixador em um país qualquer. Se ele estiver fora da Suprema Corte vai ser um favor até para o STF. Que Deus ilumine a cabeça do Hugo Motta e do Davi Alcolumbre.
Eduardo Bolsonaro, deputado

Eduardo e Flávio Bolsonaro
Eduardo e Flávio Bolsonaro Imagem: Adriano Machado/Reuters

Flávio Bolsonaro quer impeachment de Moraes

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que Alcolumbre tem “obrigação” de dar seguimento ao impeachment de Moraes. “Eu acho que o presidente Davi Alcolumbre tem que cumprir com a sua obrigação de presidente do Senado e dar prosseguimento aos pedidos de impeachment que tem um fundamento jurídico muito claro, muito óbvio, muito objetivo”, afirmou Flávio à CNN Brasil.

Para o senador, o Congresso tem receio de destituir um ministro do STF. “O erro que está sendo cometido no Brasil há algum tempo é exatamente essa relação de, parece que, olha, eu vou blindar o ministro do Supremo porque, se não, vão me acusar de estar fazendo alguma confusão”, criticou.

Flávio apresentou pedido de impeachment contra Moraes nesta semana. O requerimento foi encaminhado na quarta-feira, após o ministro decretar medidas cautelares contra o Jair Bolsonaro (PL). No pedido, o senador argumenta que Moraes cometeu crime de responsabilidade por supostamente agir de forma parcial na condução do processo e censurar manifestações políticas do ex-presidente e de Eduardo. O senador disse que vai aguardar o retorno de Alcolumbre, que está na Colômbia com a família, para conversar com ele sobre o pedido.

Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre
Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agênci/Fotográfo/Agência Brasil

Senador afirmou ainda que decisão de Moraes de manter cautelares contra Bolsonaro é “dúbia” e serve para “calar” ex-presidente. “Ele toma essa decisão que é dúbia exatamente para calar o Bolsonaro e para que a imprensa tenha que se pautar pelo o que o Alexandre de Moraes quer”, disse.

Para Flávio, a prisão de Bolsonaro seria a “cereja do bolo” para o ministro do STF. O senador voltou a dizer que Moraes censurou o ex-presidente ao, segundo ele, retirar o direito do pai de dar entrevistas. Na decisão que manteve as cautelares, Moraes explicou, no entanto, que não há proibição de que Bolsonaro fale com a imprensa ou faça discursos públicos. Ressaltou, porém, que esse material não pode ser usado para publicações nas redes sociais de terceiros de forma coordenada.

Especialistas ouvidos pelo UOL apontam que a decisão de Moraes cria leitura dúbia sobre censura. Na avaliação de alguns deles, o ministro não proibiu o ex-presidente de dar entrevistas, mas quis evitar que declarações dele pudessem interferir o curso dos processos que enfrenta no STF. Para outros, a determinação viola a liberdade de expressão e de imprensa.

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