Às vésperas de os EUA começarem a cobrar uma taxa extra de 50% sobre a importação de produtos brasileiros, o governo Lula (PT) tem feito tentativas de negociar com a administração de Donald Trump, mas ainda sem sucesso.
O que aconteceu
Apontado como principal negociador do governo, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tem conversado com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. Na semana passada, os dois falaram por quase uma hora por telefone. Reportagem da Folha mostrou que Alckmin tenta poupar alguns setores da tarifa, como alimentos e aviões da Embraer.
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad tentou contato com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Os dois têm cargos equivalentes. Haddad ouviu da equipe de Bessent, porém, que a negociação depende de decisão da Casa Branca. Hoje, o ministro declarou que o governo está confiante no trabalho para superar o tarifaço. “O Brasil nunca abandonou a mesa de negociação.”
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está nos Estados Unidos e se colocou à disposição para dialogar. O chanceler brasileiro foi a Nova York participar de um evento da ONU (Organização das Nações Unidas). Ele enviou um emissário na semana passada para sondar as condições de contato com a Casa Branca, mas até o momento não houve sinalização positiva, nem negativa, apurou a colunista do UOL Mariana Sanches.
Comissão de senadores também está nos EUA para tentar destravar as negociações. Um grupo composto por oito parlamentares — incluindo os senadores Tereza Cristina (PL-MS) e Marcos Pontes (PL-SP), ex-ministros do governo de Jair Bolsonaro (PL) — está desde sábado em Washington, onde se reuniu com a embaixadora brasileira nos Estados Unidos e representantes de grandes empresas.
Parlamentares omitem agenda para evitar intervenção de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Filho do ex-presidente, o deputado está nos EUA desde o início do ano articulando por sanções a autoridades brasileiras e disse ontem que trabalha para que a missão dos senadores fracasse.

E o Lula?
Há pedidos para que o presidente brasileiro ligue diretamente para Trump, mas o governo entende que é necessário preparar o terreno. O ministro Fernando Haddad defendeu hoje que os ministros conduzam a negociação e preparem o ambiente para uma conversa respeitosa. “Preparar isso é respeito ao povo brasileiro e à soberania do povo”, disse ele.
Lula tem dito que está aberto a negociar, mas que não vai ceder em pontos citados por Trump. Em evento na última sexta, o presidente disse que está pronto para conversar, mas não vai interferir no processo judicial contra Jair Bolsonaro, nem desistir de regular as big techs.
[Trump] colocou três coisas [na carta] que não dá pra aceitar. [O ex-presidente Jair] Bolsonaro não é problema meu, é problema da Justiça. Segundo, ele diz que não aceita punição ou regulação das big techs, mas faremos, tem que respeitar a legislação brasileira. E terceiro, é que disseram que EUA tem prejuízo na relação comercial com o Brasil, mas tem superávit há 15 anos.
Presidente Lula, sobre negociar com Trump
Desde que Trump tomou posse, relação com o Brasil é protocolar. Os dois presidentes ainda não conversaram diretamente, e o norte-americano nem sequer nomeou um novo chefe para a embaixada no Brasil. A ex-ocupante do cargo, Elizabeth Bagley, deixou o cargo em janeiro deste ano.


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