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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o plano de contingência para lidar com a tarifa de 50% nas importações brasileiras feitas pelos EUA, que pode entrar em vigor nesta sexta-feira, inclui subsídios a empresas, no mesmo molde do adotado após as inundações de 2024 no Rio Grande do Sul. O documento está nas mãos do presidente Lula (PT) e será aplicado no “momento que ele achar oportuno”, afirmou o ministro à CNN Brasil.
O que aconteceu
Subsídios para empresas diretamente afetadas pelo tarifaço podem ser dados. Sem detalhar o plano, Haddad disse que o dinheiro pode ser destinado como foi para o Rio Grande do Sul. No ano passado, o governo destinou R$ 111,6 bilhões e adotou medidas como a isenção temporária do pagamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) pelas empresas prejudicadas pelas enchentes, além de liberar o pagamento de seguro-desemprego para trabalhadores empregados, por exemplo. Alguns estados já anunciaram medidas semelhantes à ideia federal.
“Brasil não quer devolver na mesma moeda e penalizar consumidores brasileiros”. Como já havia defendido, o ministro da Fazenda disse que o objetivo principal não é taxar os EUA à mesma proporção, porque há o risco de o mercado interno ser afetado. “O plano de contingência tem opções que preveem ceder em alguns aspectos, mas cobrando em outros”, resumiu Haddad.
Nem os secretários do governo americano sabem exatamente quais serão as tarifas. Haddad lembrou uma entrevista à rede americana CNBC em que o secretário de Comércio, Howard Lutnick, disse que café e manga podem ser produtos isentos das novas tarifas, apesar de não ter nominado diretamente o Brasil. O ministro disse acreditar nessa hipótese, uma vez que grande parte da exportação brasileira trata de produtos que são diretamente consumidos pelos americanos.
Inflação pode cair se o tarifaço entrar em vigor. Haddad acredita que pode haver “uma surpresa” no índice de alimentos, como carne e frutas. Ele argumenta que vem recebendo relatórios que apontam quedas nos preços justamente nos setores mais afetados pelas tarifas dos EUA. “Já falava que existia a possibilidade da inflação do país ficar abaixo de 5% antes da tarifa. Isso pode acontecer”, afirmou.
Brasil não pretende privatizar Pix. O sistema de pagamentos, apontado pelo governo dos EUA como uma das justificativas para o tarifaço sobre o Brasil, foi descrito por Haddad como uma forma de moeda digital que não precisa gerar lucro a ninguém. “A conversa esbarra numa percepção de que o Pix concorre com outros meios de pagamento, e isso não é verdade. O Pix, se for privatizado, vai provocar um custo, como se fosse uma tarifa”, afirmou.
Conversas ficaram mais frequentes nos últimos dias. O ministro da Fazenda confirmou que o vice-presidente Geraldo Alckmin está negociando diretamente com autoridades como Lutnick e Scott Bessent (secretário do Tesouro dos EUA). Ele acrescentou que todas as cartas enviadas pelo país desde maio não foram respondidas até agora.
Reuniões acontecem desde maio. Haddad refutou a hipótese de que o Brasil “demorou” para iniciar negociações e que teria subestimado a influência do bolsonarismo sobre Donald Trump. “Eu fui em uma reunião com o Bessent sem ser convidado. O Armínio Fraga foi quem viabilizou isso. Mas, de maio para cá, o governo americano mudou de tom”, argumenta.

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