Lula ainda quer negociar com EUA, e governo calcula impactos do tarifaço

Após conversas, a nota com a resposta do Planalto foi divulgada por volta de 20h30. O texto começa defendendo a soberania e rejeita a intenção de Donald Trump em livrar Jair Bolsonaro do processo criminal em troca de desistir do tarifaço. “Justiça não se negocia”, diz a nota.

Abertura para negociar

Avaliação é de que ainda há negociações pela frente. Auxiliares do presidente disseram que o governo ainda está estudando os impactos setoriais do anúncio dos EUA, e o vice-presidente Geraldo Alckmin deve expor até o fim da semana a posição do governo.

Trump isentou 694 produtos da sobretaxa. Estão na lista itens como aviação, suco de laranja e minerais. Existe expectativa de o café ser liberado do tarifaço num segundo momento, quando os Estados Unidos apresentarem a relação de mercadorias isentas por não serem produzidas no país.

Exceções ao tarifaço alteram o plano de socorro desenhado por Haddad. O Ministério da Fazenda pretendia lançar um sistema de proteção às empresas e aos empregos semelhante ao ocorrido na pandemia. Mas serão necessárias adaptações.

Como setores foram afetados de forma diferente, novos cálculos serão feitos. É preciso mensurar o impacto em cada atividade econômica para só então determinar o potencial de prejuízos e como o governo deve reagir.

A nota também de Lula ainda chamou atenção pelo que não disse. O Planalto decidiu deixar de fora da nota a palavra “reciprocidade”. O texto se limita a falar em usar o aparato legal, uma menção indireta que sinaliza escolha pelo tom ameno.

A atitude combina com quem se declara aberto a negociação. Mas auxiliares do presidente afirmam que o governo não hesitará “de usar todos os meios legais disponíveis”.

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