As tarifas de exportação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil têm impacto muito mais político do que econômico, avaliou o estrategista macro do BTG Pactual, Álvaro Frasson, em entrevista ao Mercado Aberto de hoje, no Canal UOL.
A gente não vê agora o impacto como significativo dentro do agregado. Ou seja, PIB, balança comercial, acho que ficou muito menos relevante depois da lista de exceções que foram apresentadas no dia de ontem.
A partir dessa análise, acho que fica mais claro para a gente que o impacto está sendo muito mais político do que econômico, apesar de ser um instrumento econômico, foram as tarifas.
Mas eu acho que isso cria um alívio nos mercados, bolsa de valores, taxa de câmbio, todos eles tiveram uma performance mais positiva no final do dia em razão desse alívio.
Álvaro Frasson, estrategista macro do BTG Pactual
Frasson, no entanto, alertou que ainda não se pode comemorar tão cedo os impactos da taxação, já que é preciso entender qual será o rumo das negociações entre Brasil e Estados Unidos daqui para frente.
Neste ambiente de tensão política bastante elevada, a gente não pode comemorar tão cedo, a gente precisa entender um pouco mais sobre qual será o rumo das negociações, não tenho tanta clareza que mais exceções possam aparecer.
Pelo contrário, acho que a gente precisa trabalhar com possibilidades maiores. A volatilidade do Trump nas negociações é muito grande, isso é muito conhecido, e pode ser aplicado ao Brasil também. Aumentar a lista ou reduzir a lista de exceções na minha visão pode ter a mesma probabilidade.
Álvaro Frasson, estrategista macro do BTG Pactual
EUA repetem estratégia e dá prazo para Brasil negociar, diz Barral
Para Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, os Estados Unidos repetem com o Brasil a mesma estratégia que fizeram com Canadá e México em outras ocasiões, que é dar uma semana de prazo antes do início da medida tarifária.
Os Estados Unidos fizeram o que fizeram com o Canadá e México em outras ocasiões, que é dar uma semana de prazo antes do início da medida, esperando alguma concessão de última hora por parte do parceiro comercial.
Poderia, por exemplo, ser a inclusão de mais setores. A inclusão de uma cota para alguns produtos específicos. Isso foi feito para o Canadá e México ainda este ano, principalmente no setor automotivo, no caso do México. Ou seja, ele esperaria algum tipo de concessão para que fizesse movimento nesse sentido antes do início das medidas.
A grande questão é que há um complicador: é o fator político. E o Brasil já deixou claro que as questões relativas ao Poder Judiciário não serão colocadas sobre a mesa. É importante notar que o Brasil pode tentar fazer alguma concessão para aproveitar esse prazo de uma semana, mas a negociação vai se estender.
Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior
O Mercado Aberto vai ao ar de segunda a sexta-feira no UOL às 8h, com apresentação de Amanda Klein, antecipando os principais movimentos do mercado financeiro.
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