
Os efeitos potenciais da sanção na vida de um atingido são extensos e severos, ainda que, como Moraes, eles não tenham propriedades no país nem visto ou interesse em entrar nos EUA.
Decisões do ministro Moraes para derrubada de conteúdos considerados falsos ou discurso de ódio em redes sociais de cidadãos com dupla cidadania, brasileira e americana, foram em parte a justificativa para a ação. No comunicado do secretário de Estado, Marco Rubio, sobre a medida, ele afirmou que “os Estados Unidos empregarão todos os instrumentos diplomáticos, políticos e legais apropriados e eficazes para proteger a liberdade de expressão dos cidadãos americanos contra agentes estrangeiros malignos como Moraes, que buscam enfraquecê-la”.
Além disso, Rubio mencionou “flagrantes negações de garantias de julgamento justo”, em provável referência à situação judicial do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
As duas senadoras apontam que a motivação de Trump para adotar tal medida é estritamente “política”. “Isso não é apenas um abuso de uma ferramenta crucial da política externa dos EUA: é um ataque contra um ministro da Suprema Corte brasileira que atualmente supervisiona o julgamento de um ex-presidente acusado de planejar um golpe para minar os resultados de uma eleição democrática no Brasil”, afirmaram as senadoras, em referência ao processo judicial contra Jair Bolsonaro, cujo relator é Moraes.
Bolsonaro é acusado de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros crimes, que ele nega. Trump tem repetido, inclusive nos documentos que justificam suas ações contra o Brasil, que o julgamento, que deverá acontecer até o fim do ano, é uma “caça às bruxas” e uma “vergonha internacional”. As declarações ecoam a campanha de bolsonaristas radicados no país, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o comentarista político Paulo Figueiredo, por atos da Casa Branca que possam forçar o Brasil a conceder uma anistia a Bolsonaro e seus apoiadores.
As senadoras criticaram ainda o fato de esta não ter sido a única ação formalizada ontem contra o Brasil, já que Trump assinou uma Ordem Executiva para formalizar o tarifaço contra o país.
E essa medida se soma à imposição de uma tarifa de 50% pelo presidente Trump ao Brasil pela mesma suposta causa, o que significa que os americanos terão que pagar mais por carne bovina, café e outros produtos essenciais em um momento em que os preços já estão muito altos. Como atacar um sistema judicial independente na quarta maior democracia do mundo torna os Estados Unidos mais seguros, fortes ou prósperos? Este é mais um exemplo de como o presidente Trump prioriza seus interesses e os de seus aliados políticos em detrimento dos interesses do povo americano
Senadoras em manifestação
Shaheen participou da reunião com a comitiva de senadores brasileiros que esteve em Washington nesta semana. Os políticos tentaram sensibilizar seus pares de que as tarifas seriam um “perde-perde” para os dois lados.
A Casa Branca listou cerca de 700 isenções aos produtos tarifados, como aeronaves, petróleo e suco de laranja para conter o possível impacto da inflação do tarifaço e acalmar os interesses de representantes do PIB Americano que se manifestaram contra a medida anunciada por Trump em 9 de julho.
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