Um guarda civil metropolitano de 37 anos foi preso em flagrante, suspeito de atirar em direção a uma vizinha de 71 anos no Jardim Santa Emília, em Campo Grande, no final da tarde deste sábado (3). Com a arma em uma das mãos e um “copo de cerveja na outra”, ele ainda teria ameaçado a vítima: “Sou acostumado a atirar na cabeça”, segundo relato da idosa à polícia.

O guarda será afastado do trabalho, e um PAD (Procedimento Administrativo Disciplinar) foi instaurado pela Corregedoria da Guarda para apurar o caso.
Briga por conta de fogo
O desentendimento começou enquanto a idosa colocava fogo em folhas secas no quintal de sua residência. Incomodado, o guarda, que mora nos fundos da casa, subiu no muro, se identificou como “policial” e, enquanto ordenava que a moradora apagasse o fogo, teria efetuado um disparo de arma de fogo em sua direção.
Ao ouvir o disparo, a idosa correu para dentro de casa e se escondeu ao lado da filha. Em seguida, o servidor teria invadido a residência em busca do filho da mulher, supostamente armado, e com a lata de cerveja nas mãos. Ao ser questionado sobre o tiro, o guarda teria dito que era “acostumado a atirar na cabeça”. Depois disso, ele foi embora.
A Polícia Militar foi acionada e encontrou uma cápsula de munição no quintal da vítima. Com base nos depoimentos da mãe e da filha, os policiais foram até a casa do suspeito, que se identificou como GCM (Guarda Civil Metropolitano), mas negou ter atirado em direção à mulher ou invadido a casa da vizinha.
O servidor admitiu apenas ter discutido com a mulher por causa da queima de lixo, alegando que, após o desentendimento, foi a filha da idosa quem teria ido até a residência dele. Posteriormente, ele confirmou que também foi até a casa da vizinha, mas alegou ter sido atendido no portão, negando ter entrado no imóvel.
Por fim, o servidor teve de apresentar sua arma funcional — uma pistola PT 100 calibre .40 — com três carregadores e 33 munições, pertencentes à carga da Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande.
Um comandante da GCM foi chamado ao local e conduziu o guarda até a Depac Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia). Ele vai responder pelos crimes de violação de domicílio, disparo de arma de fogo e ameaça.
O que diz a GCM
Procurada pela reportagem, a Sesdes (Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social) informou que não compactua com a conduta do servidor, que será afastado. Leia a nota na íntegra:
“A Sesdes não compactua com esse tipo de conduta. Sempre capacitamos nossos agentes, prezando pelo respeito, urbanidade e cordialidade no trato com a população. Cabe reforçar o excelente trabalho que vem sendo desenvolvido pela GCM, o qual não deve ser colocado em xeque por conta da conduta de um servidor. Este será afastado e será instaurado um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD). Reforçamos que os 900 servidores armados da GCM passarão pela capacitação anual obrigatória, que neste ano contará com a participação da Defensoria Pública e do Ministério Público, por meio do GACEP, visando aprimorar o aprendizado sobre conduta e respeito aos direitos humanos.”
Sesdes.