Brasil não sentou ‘igual gente grande’ com o EUA e deu espaço para ‘narrativas’, critica secretário

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, César Miranda, criticou a ausência de um diálogo próximo entre o presidente Lula e Donald Trump desde a posse do americano como presidente e avaliou que esse afastamento abriu espaço para os Estados Unidos “comprarem algumas narrativas” que misturaram política com economia. Para o secretário, o Brasil precisava ter se sentado com os EUA “igual gente grande” muito antes do tarifaço.

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“É aquela história, se você não conversa, cada um pensa o que quer. Então, eu acho que o governo brasileiro, assim que os Estados Unidos elegeram o seu presidente, seja ele qual fosse, certo? O presidente do Brasil tinha que imediatamente ir aos Estados Unidos fazer uma visita, se colocar. Eles podem ter questões ideológicas, eu não vou entrar no mérito quem está certo, quem está errado, porque todos os extremos, a meu ver, são ruins”, afirmou César, ao Olhar Direto, nesta segunda-feira (4).
Para César Miranda, o presidente da República tem a obrigação institucional de dialogar com os principais parceiros comerciais do país, independentemente de afinidades políticas ou ideológicas. Ele citou que vários aliados históricos e também rivais dos Estados Unidos já sentaram à mesa de negociação, enquanto o Brasil ainda não havia feito isso até o anúncio do tarifaço, forma como está sendo chamada a sobretaxa de 50% anunciada por Trump contra as exportações brasileiras aos EUA.
“Há muito tempo. [Lula deveria ter ligado] Antes disso tudo acontecer. O mundo, qual é a economia que mais cresce no mundo? A Índia, disparadamente. Qual é o grande rival americano? China, rival comercial. Quais eram os grandes parceiros alinhados com os Estados Unidos? União Europeia. Todos já se sentaram com os Estados Unidos. Japão está sentado, e é um parceiro histórico, desde a Segunda Guerra Mundial, quando o americano entrou para dentro do Japão, são parceiros históricos. Estão sentados à mesa negociando. Por que o Brasil não? Nós não somos melhor que ninguém. […] Então, os interesses nacionais estão acima de questões ideológicas, partidárias, e eu acho que o governo brasileiro tem, por obrigação e por responsabilidade, procurar o governo americano e sentar e conversar, como se diz, igual gente grande.”
Segundo o secretário, a condução diplomática adotada pelo governo federal, por mais que legítima na busca por novos parceiros, contribuiu para o distanciamento entre os dois países e criou margem para interpretações políticas por parte da Casa Branca. Para ele, o governo Lula adotou um alinhamento internacional que “vai contra os interesses americanos”.
“A economia é globalizada, a geopolítica é globalizada. Então, tudo isso a gente imagina, pelo que a gente acompanha na imprensa, que foi criando um afastamento e dando chance para que o governo americano começasse a comprar algumas narrativas. Não vou entrar no mérito também se são corretas ou incorretas.”
Miranda afirmou que é preciso separar as divergências políticas das relações comerciais, que devem ser tratadas com pragmatismo e por meio de canais diplomáticos.
“Misturar questões comerciais com questões políticas, ideológicas, foi muito ruim. […] Acho que a gente precisa separar isso. Questões ideológicas, questões políticas, elas têm que ser tratadas como as questões comerciais, através da nossa diplomacia.”

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