Escola onde aluna foi espancada será convertida em cívico-militar em MT

O governo de Mato Grosso anunciou nesta quarta-feira (6) que a Escola Estadual Carlos Hugueney será transformada em uma unidade cívico-militar. A medida foi divulgada após uma estudante de 12 anos ter sido brutalmente agredida por quatro colegas, com idades entre 11 e 14 anos, nessa segunda-feira (4). O vídeo gerou grande repercussão pela violência com

Na coletiva, os secretários de Educação, Alan Porto, e de Segurança Pública, César Roveri, afirmaram que a transformação da unidade tem como objetivo reforçar a disciplina, ampliar o monitoramento de comportamentos de risco e impedir a atuação de grupos organizados no ambiente escolar.

Secretários de Segurança Pública, César Roveri, e de Educação, Alan Porto (Vídeo: Reprodução)

Alan Porto anunciou que a escola receberá reforço no policiamento, presença de monitores e mudanças na gestão da disciplina. Também será realizado o recrutamento de policiais da reserva para atuar dentro da unidade.

“Nós determinamos que aquela unidade escolar Carlos Hugueney será transformada em uma unidade cívico-militar. Já estamos fazendo recrutamento, dos policiais da reserva para que a gente possa atuar naquele ambiente”, disse.

O secretário César Roveri informou que as investigações já estão em andamento para apurar a origem e o nível de influência do grupo entre os estudantes.

O promotor Frederico Ribeiro destacou que o Ministério Público atuará de forma incisiva para responsabilizar eventuais adultos que tenham incentivado ou participado da criação do grupo.

Das quatro adolescentes que aparecem no vídeo, três serão encaminhadas para o sistema socioeducativo em Cuiabá para cumprir medida socioeducativa de internação provisória.

Vídeo desfocado mostra a agressão que aconteceu dentro de uma escola estadual em Alto Araguaia.(Foto: Reprodução)

Entenda o caso

As imagens mostram a vítima sendo espancada por quatro adolescentes, com idades entre 11 e 14 anos. A agressão aconteceu na segunda-feira (4). De acordo com a polícia, as agressoras faziam parte de um grupo com estrutura e regras próprias, semelhantes às de uma facção.

A aluna foi punida por supostamente ter desobedecido uma dessas normas internas. Durante o ataque, foi obrigada a não demonstrar dor, sob ameaça de novas agressões.

O vídeo, que circula nas redes sociais desde o fim de semana, registra o momento em que a estudante, ajoelhada e com o rosto voltado para a parede, é cercada pelas colegas e agredida com socos, chutes e até um pedaço de pau, enquanto as agressoras riem e filmam a ação.

A primeira agressora desfere tapas no rosto da colega e diz: “conta quantos tapas eu dei”. A segunda se aproxima com mais violência e desferre vários socos na cabeça da vítima.

Na sequência, a terceira pega um pedaço de pau e o utiliza para bater na estudante, que permanece ajoelhada e sem reagir. A quarta agressora puxa os cabelos da vítima, a arrasta pelo chão e continua com os ataques, desferindo chutes, inclusive na região da cabeça, enquanto as outras riem.

Apesar de saberem que estão sendo filmadas, as envolvidas mantêm o tom de deboche e seguem com as agressões.

Diante da repercussão, a Secretaria de Educação Estadual (Seduc-MT) divulgou na terça-feira (5) uma nota oficial afirmando que estava apurando com rigor o caso e que as equipes gestora e psicossocial da escola e da Diretoria Regional de Educação foram mobilizadas para prestar atendimento à aluna agredida, aos demais envolvidos e às respectivas famílias.

O caso foi registrado junto à Polícia Civil. A direção da escola também pode responder por eventual omissão na segurança dos alunos.

O registro trouxe à tona a violência organizada entre estudantes e levantou alertas sobre a segurança no ambiente escolar.

Para o delegado responsável pelo caso Marcos Paulo Oliveira, a internet facilita o acesso a estatutos de diversas facções criminosas, o que pode ter influenciado a criação do grupo entre os alunos. “Talvez inspirados por essa bandiolatria que, infelizmente, vem consumindo o nosso país, eles copiaram, de certa forma, o que ocorre dentro das facções criminosas. Inclusive, uma das regras durante a agressão era não poder chorar, porque, se chorasse, a agressão seria ainda mais violenta”, disse.

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