3 alunas que espancaram colega em escola de MT serão internadas a 421 km de casa

As três adolescentes apreendidas por protagonizarem uma espécie de “tribunal do crime” em uma escola estadual de Alto Araguaia (MT) foram transferidas para Cuiabá, onde permanecerão internadas no Complexo do Pomeri. A chegada à capital ocorreu na noite desta quarta-feira (6), em viaturas da Polícia Civil.

Uma quarta envolvida escapou da internação por ter menos de 12 anos, sendo considerada inimputável de acordo com a legislação brasileira.

Design sem nome 2025 08 07T110324.932
As adolescentes chegaram à Capital por volta das 19 horas e foram encaminhadas para o Pomeri. (Foto: PJC-MT)

A apreensão das jovens foi motivada por um vídeo, que circula nas redes sociais desde o último final de semana, que mostra uma aluna sendo brutalmente agredida nas dependências da escola. As investigações preliminares apontam que a cena de violência foi orquestrada pelas próprias estudantes como uma espécie de “tribunal do crime”, em que a vítima foi julgada e punida de forma brutal dentro do ambiente escolar.

Segundo o delegado Marcos Paulo Oliveira, responsável pelo caso, cerca de 20 alunos da escola formaram um grupo com estrutura semelhante à de facções criminosas. Eles criaram regras internas, elegeram uma liderança e impuseram um regime disciplinar próprio.

As adolescentes foram ouvidas na presença dos pais e tiveram seus celulares apreendidos. Os aparelhos continham registros de outras agressões cometidas pelo mesmo grupo, revelando um padrão de violência recorrente e organizado.

Durante os depoimentos, as adolescentes confessaram os atos e revelaram que, além da vítima registrada no vídeo, outras quatro alunas também já haviam sido espancadas por descumprirem as regras impostas pelo grupo.

A vítima, sua família, a direção da escola e os responsáveis pelas agressoras também foram ouvidos durante a investigação.

Com base nos depoimentos e nas provas reunidas, a Polícia Civil indiciou as adolescentes por atos infracionais análogos aos crimes de tortura e associação criminosa. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público, com recomendação de internação provisória.

Vídeo mostra chegada das adolescentes.

Medidas da Seduc

Diante da gravidade do caso e da repercussão pública, o Governo de Mato Grosso anunciou que a Escola Estadual Carlos Hugueney será transformada em uma unidade cívico-militar.

De acordo com os secretários Alan Porto (Educação) e César Roveri (Segurança Pública), a medida visa reforçar a disciplina, ampliar o monitoramento de comportamentos de risco e coibir a atuação de grupos organizados dentro do ambiente escolar.

Relembre o caso

As imagens da agressão mostram a vítima sendo espancada por quatro adolescentes, com idades entre 11 e 14 anos, na última segunda-feira (4). De acordo com a polícia, as agressoras integravam um grupo com regras e estrutura próprias, inspiradas em facções criminosas.

A aluna foi punida por supostamente desrespeitar uma dessas normas. Durante a agressão, foi obrigada a não demonstrar dor, sob ameaça de novos ataques.

O vídeo, que viralizou nas redes sociais, mostra a vítima ajoelhada, com o rosto voltado para a parede, sendo cercada pelas colegas e agredida com socos, chutes e até golpes com um pedaço de pau. Enquanto uma delas desfere tapas e diz “conta quantos tapas eu dei”, outras riem, filmam e participam ativamente da violência.

Apesar de estarem cientes da gravação, as envolvidas mantêm o tom de deboche e seguem com os ataques. A última agressora chega a arrastar a vítima pelos cabelos e desferir chutes na cabeça.

Alerta sobre a violência escolar

O caso reacendeu o alerta sobre a violência organizada dentro das escolas e o papel das redes sociais na propagação de comportamentos violentos.

Para o delegado Marcos Paulo Oliveira, o fácil acesso a estatutos de facções pela internet pode ter influenciado a formação do grupo. “Talvez inspirados por essa bandiolatria que, infelizmente, vem consumindo o nosso país, eles copiaram, de certa forma, o que ocorre dentro das facções criminosas. Inclusive, uma das regras durante a agressão era não poder chorar, porque, se chorasse, a agressão seria ainda mais violenta”, afirmou.

Leia mais

  1. Aluna é agredida por quatro colegas com socos, chutes e até pedaço de pau em escola de MT

  2. Estudante de medicina veterinária morre em acidente na MT-100

  3. Lagoa do Parque das Águas começa a ser despoluída em Cuiabá

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Fonte


Publicado

em

por

Tags: