O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso monitora, desde a última segunda-feira (11), sete incêndios florestais ativos em terras indígenas no estado.

Apesar do risco e da extensão das queimadas, a corporação não atua diretamente no combate, já que a legislação determina que a responsabilidade nessas áreas é de órgãos do governo federal, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Até o momento, segundo a corporação, não houve acionamento para apoio.
Os incêndios se concentram em diferentes regiões de Mato Grosso. Dois deles ocorrem na Terra Indígena Capoto/Jarina, em Peixoto de Azevedo, no norte do estado; outros dois atingem a Terra Indígena Marechal Rondon, em Paranatinga, na região central; um foco foi registrado na Terra Indígena Sangradouro/Volta Grande, em Poxoréu; outro na Terra Indígena Marãiwatsédé, em São Félix do Araguaia; e um último na Terra Indígena Nambikwara, em Comodoro, no oeste.
Leia também – Saiu a lista de credenciados para atuar como instrutor no Corpo de Bombeiros
O avanço do fogo nesses territórios representa uma ameaça direta ao meio ambiente e às comunidades que vivem nessas regiões. Além da perda de biodiversidade, os incêndios podem destruir áreas de cultivo, afetar a fauna e comprometer o acesso à água potável, já que muitas aldeias dependem de rios e nascentes próximos.
No total, o Corpo de Bombeiros monitora 25 focos de calor em Mato Grosso, sendo 10 incêndios florestais dos quais sete em terras indígenas e outros 15 resultantes de queimadas irregulares. Estes últimos estão sendo fiscalizados por meio da Operação Infravermelho, que utiliza imagens de satélite para identificar áreas com risco de incêndio ou onde o fogo já tenha sido iniciado ilegalmente.

A operação é coordenada a partir da Sala de Situação, no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá. Equipes em campo contam com o apoio de caminhões-pipa, maquinário pesado e brigadistas treinados para atuar tanto na prevenção quanto na contenção das chamas. A ação também busca responsabilizar infratores, aplicando multas e adotando medidas legais.
Nos municípios de Água Boa, Santa Terezinha, Torixoréu, Colniza, Santo Antônio do Leste, Nova Nazaré e Cocalinho, as frentes de combate seguem ativas, com reforço logístico para enfrentar o fogo. Já nas áreas indígenas, a situação segue sob monitoramento, à espera de que os órgãos competentes assumam a atuação direta.
O período de estiagem, aliado ao uso irregular do fogo, aumenta o risco de novos focos, reforçando a necessidade de ações coordenadas entre governos estadual e federal para proteger não apenas a vegetação, mas também as populações que vivem nesses territórios.
