DNA confirma identidade de dois maranhenses mortos em Várzea Grande

Dois dos cinco trabalhadores maranhenses, desaparecidos em Várzea Grande, tiveram os corpos identificados. Eles foram encontrados em um cemitério clandestino, localizado no bairro Pirinéu, no dia 12 de março.

De acordo com a Polícia Civil, as vítimas são Diego de Sales Santos, de 22 anos, e Mefibozete Pereira da Solidade, 25 anos, ambos vindos do Maranhão para trabalhar na cidade.

maranhenses identificados em cemiterio clandestino
Os maranhenses Diego de Sales Santos e Mefibozete Pereira da Solidade estavam desaparecidos desde janeiro de 2025. (Foto: PJC)

O reconhecimento foi feito pelo Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), com o auxílio do Banco Estadual de Perfis Genéticos (BEPG).

Segundo as investigações, o patrão registrou o desaparecimento dos cinco funcionários no dia 10 de janeiro, após não encontrá-los no alojamento em que estavam hospedados. Os trabalhadores haviam chegado a Várzea Grande um dia antes.

Em julho, a Polícia Civil deflagrou a Operação Desterro, que investiga os desaparecimentos e revelou que as vítimas, possivelmente, foram confundidas com faccionados e submetidas ao “tribunal do crime”.

Além dos maranhenses, também foram encontrados na mesma área os corpos de Ricardo Oliveira Alves, de 41 anos, e do filho dele Ryan Matos Alves, de 18 anos, ambos do Amazonas.

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Ryan Matos Alves, de 18 anos, e seu pai Ricardo Oliveira Alves, de 41 anos (Foto: Reprodução)

A identificação das vítimas foi possível a partir da coleta de material genético de familiares, que foi comparado aos perfis armazenados no banco de dados. Com a confirmação, os casos, antes investigados como desaparecimento, passaram a ser tratados como homicídio.

O BEPG integra a Rede Nacional de Perfis Genéticos, que conecta 23 laboratórios forenses em todo o país. A ferramenta é fundamental para esclarecer casos de desaparecimento e dar respostas às famílias. A coleta de DNA de parentes é gratuita e pode ser feita em pontos de atendimento em todo o Brasil.

Maranhenses avisam sobre sequestro

Antes de desaparecerem, dois dos cinco maranhenses que foram sequestrados em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, enviaram um áudio ao patrão relatando que três colegas já haviam sido levados por integrantes de uma facção criminosa. Pouco tempo depois, eles também desapareceram.

O áudio foi obtido durante as investigações sobre o desaparecimento das vítimas.

Trabalhadores maranhenses desapareceram ao chegar em Várzea Grande. (Áudio: Reprodução)

Na gravação, um deles afirma que “uns caras” foram até o alojamento onde estavam hospedados e levaram os colegas, acusando-os de serem membros de uma organização rival.

“Olha, se eles estiverem com facção rival, eles vão para o saco, tá avisado, aqui não tem criança não”, diz a pessoa.

Na conversa, o patrão demonstra preocupação e diz temer que algo assim pudesse acontecer, já que, segundo ele, a região de Várzea Grande é “barra pesada”. Ele ainda tenta entrar em contato com outro funcionário para obter mais informações, mas não recebe resposta.

O áudio também sugere que, apesar de estarem no mesmo alojamento, os cinco homens não se conheciam bem e não sabiam o passado uns dos outros. Depois desse último contato, nenhum deles foi visto novamente.

Operação Desterro

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa de Cuiabá, realizou a Operação Desterro para cumprir mandados referentes à investigação que apura o desaparecimento de 5 maranhenses em Várzea Grande.

Maranhenses desapareceram um dia após chegarem em Várzea Grande, no dia 10 de janeiro. (Foto: Reprodução)
Maranhenses desapareceram um dia após chegarem em Várzea Grande, no dia 10 de janeiro. (Foto: Reprodução)

Dois integrantes de uma facção criminosa foram presos em flagrante. Além das prisões, os policiais apreenderam uma arma de fogo e descobriram que um dos detidos utilizava indevidamente uma tornozeleira eletrônica registrada em nome de outro monitorado.

A operação cumpriu 13 mandados judiciais, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, contra suspeitos investigados por diversos crimes, incluindo tortura, homicídio qualificado, ocultação de cadáveres e participação em organização criminosa. Os alvos têm envolvimento direto com o chamado “tribunal do crime”, estrutura usada por facções para julgar e executar rivais.

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