A Polícia Civil de Mato Grosso investiga o desaparecimento de Gabriely, de 21 anos, mulher trans que tem como nome civil Willian Gabriel Silva de Jesus. Ela não é vista desde 12 de agosto. A família acredita que o sumiço está diretamente ligado ao sequestro dos vizinhos e amigos dela, José Wallefe dos Santos Lins (28), Ariane da Silva Cerqueira (27) e, o filho do casal, um bebê de 1 ano, ocorrido no bairro Jacarandá.

Ao Primeira Página, a mãe da vítima contou ter sido informada que Gabriely teria sido levada por membros de uma facção criminosa no mesmo dia em que a família vizinha foi sequestrada.
Ela teria tentado intervir para proteger a amiga Ariane de agressões, pedindo aos criminosos que não deixassem um homem bater na vítima para evitar ferimentos graves.
A mãe da jovem, que pediu para não ter o nome divulgado, disse estar desesperada.
“Eu estou muito preocupada, muito mesmo. Estou desesperada, não estou nem comendo, não estou dormindo”, afirmou.
Ela contou que, desde a última vez que falou com a filha, as tentativas de contato não tiveram sucesso.
“Você liga, chama, chama, chama… depois cai a ligação. E ela não está na casa dela, ninguém viu nada. Eu perguntei para todo mundo, ninguém sabe dela.”
A mãe explicou que a filha vive há pouco tempo no mesmo condomínio onde o crime aconteceu.
“Acho que tem uns três meses. É pouco tempo, mas todo mundo conhece ela.”
O sequestro da família
Ariane e a família dela haviam se mudado de Maceió (AL) para Mato Grosso há cerca de três meses. O sequestro ocorreu no sábado (9). Após quatro dias, na noite de quarta-feira (13), Ariane e o filho foram encontrados na UPA do bairro Ipase, em Várzea Grande, com sinais de espancamento.
Ariane apresentava fratura no braço e hematomas pelo corpo e rosto, sendo levada ao Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande para cirurgia.
O bebê, embora fisicamente bem, estava muito abalado e permanece sob cuidados da família em Cuiabá.

Durante as buscas, uma mulher foi presa suspeita de participar do crime. Segundo a polícia, ela cuidou do bebê por um dia antes de entregá-lo a outra jovem de 21 anos, que também teria agredido Ariane.
Segundo relato das suspeitas, José Wallefe foi levado pelos criminosos a uma região de mata e continua desaparecido. Policiais realizaram buscas na área, mas não obtiveram êxito devido à dificuldade de acesso e à grande extensão da região.
As vítimas foram mantidas em cárcere privado antes de serem deixadas na rua, próximas à unidade de saúde.
