A prisão do influenciador digital Hytalo Santos, ocorrida na manhã desta sexta-feira (15) em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, abre um novo e delicado capítulo no caso que mobiliza autoridades de pelo menos três esferas: criminal, cível e trabalhista. Ao lado do marido, Israel Nata Vicente, conhecido como Euro, ele é investigado por tráfico humano e exploração sexual infantil.

A ordem de prisão temporária foi expedida pela Justiça paraibana, a partir de uma solicitação do MPPB (Ministério Púbico da Paraíba). A ação incluiu também mandados de busca e apreensão no endereço do influenciador e em outros locais ligados a ele, resultando na apreensão de celulares, computadores, documentos, contratos e quantias em dinheiro acima de R$ 10 mil.
Prisão temporária e possíveis desdobramentos
A prisão temporária tem prazo inicial de até cinco dias, podendo ser prorrogada por igual período. Ela pode ainda ser convertida em prisão preventiva, medida que mantém o investigado detido por tempo indeterminado enquanto o processo tramita, caso a Justiça entenda haver riscos como destruição de provas, intimidação de testemunhas ou possibilidade de fuga.
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As acusações
O MP aponta que Hytalo estaria envolvido na produção e divulgação de conteúdos considerados “adultização” envolvendo menores, termo que ganhou repercussão após um vídeo do youtuber Felca viralizar na semana passada, com mais de 40 milhões de visualizações. O material denunciava a exposição precoce e sexualizada de crianças em vídeos que circulavam nas redes sociais, alimentando algoritmos que, segundo especialistas, favorecem redes de exploração sexual.
Há ainda indícios de que o influenciador teria oferecido benefícios a famílias de adolescentes, como pagamento de aluguel e entrega de aparelhos eletrônicos, para que participassem de seus conteúdos. Essa prática, segundo promotores, pode configurar crimes como corrupção de menores e favorecimento à prostituição, além de violar o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
O MPT (Ministério Público do Trabalho) apura possíveis violações relacionadas ao “trabalho infantil digital”, citando “a gravidade das inúmeras violações trabalhistas e aos direitos humanos” nos conteúdos produzidos. Caso as irregularidades sejam comprovadas, ele poderá ser alvo de ações civis públicas, interdições para exercício de atividades com menores e multas que podem chegar a milhões de reais.
Também está em andamento uma apuração para identificar se houve omissão ou negligência por parte dos responsáveis legais das crianças e adolescentes envolvidos.
Medidas cautelares já impostas
Antes mesmo da prisão, a Justiça havia determinado, na última terça-feira (12), a suspensão de todos os perfis de Hytalo nas redes sociais, a interrupção de qualquer monetização de seus conteúdos e a proibição de manter contato com menores de idade. O TikTok informou que já havia banido perfis ligados ao influenciador em abril de 2023 e novamente em junho deste ano.
Próximos passos no processo
A partir de agora, a investigação deve se concentrar na análise do material apreendido, incluindo conversas privadas, registros financeiros e contratos. Essas provas serão fundamentais para definir se haverá apresentação formal de denúncia. Se isso ocorrer e a Justiça aceitar a acusação, Hytalo passará a responder como réu.
Os crimes sob apuração, como exploração sexual de vulnerável, tráfico humano e corrupção de menores, têm penas que, somadas, podem ultrapassar 15 anos de prisão.
Enquanto isso, a defesa afirma não ter tido acesso à íntegra da decisão que determinou a prisão, classificando-a como “medida extrema” e sinalizando que poderá entrar com pedido de habeas corpus. Em nota, os advogados reafirmaram a inocência do influenciador e afirmaram que ele “sempre se colocou à disposição das autoridades”.
Por ora, Hytalo Santos permanece preso em São Paulo, aguardando decisão judicial sobre a manutenção ou não de sua prisão.