Beber desdenha pacote de Lula e alerta para risco à segurança alimentar

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja‑MT), Lucas Costa Beber, afirmou não acreditar no pacote de socorro anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como resposta à sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos e disse que o Brasil não tem segurança alimentar garantida. Para ele, o diálogo deveria ser prioridade, antes de qualquer anúncio de ajuda financeira.

Leia também
“Mauro é o melhor governador que o estado teve”, afirma Fabio Garcia

O pacote de socorro, conhecido como “Brasil Soberano”, foi anunciado nesta quarta-feira (13 de agosto), por meio de Medida Provisória que libera aproximadamente R$ 30 bilhões em linhas de crédito com juros reduzidos, prorrogações fiscais, estímulo às compras governamentais de produtos perecíveis e incentivos à diversificação de mercados, além de priorizar micro e pequenas empresas exportadoras afetadas pela sobretaxa norte-americana.
“Primeiro que eu não acredito nesse pacote, até porque o governo prometeu socorro para os produtores do Sul, que vêm há cinco anos enfrentando seca e enchente, e não socorreu aqui dentro do país. Agora a saída seria o diálogo, antes de falar em pacote, o diálogo para tentar reduzir essas tarifas”, declarou.
Beber criticou a postura de Lula de manter embates com Washington e disse que a maior economia do mundo, responsável por um terço da riqueza global e principal investidor estrangeiro no Brasil, deve ser tratada com pragmatismo. Ele observou que até mesmo países do Brics têm evitado polêmicas, especialmente sobre desdolarização, para não provocar sanções.
Ao falar sobre soberania, o dirigente questionou a capacidade do Brasil de sustentar seu próprio abastecimento alimentar. “Nós somos um país que tem o maior potencial de crescimento no fornecimento de produtos agrícolas, porém importamos 85% dos nossos fertilizantes para poder produzir alimentos. Se vierem sanções como a Otan já está falando também em sancionar o Brasil na aquisição de fertilizantes, sendo que 40% de todo o fertilizante que a gente importa vem da Rússia, nós podemos ter a nossa segurança alimentar e do mundo comprometida”.
Para ele, qualquer agenda internacional precisa ser conduzida com responsabilidade e abertura ao diálogo. “Primeiro tentar negociação, não podemos insistir em bater. Nem a Rússia, nem a Índia, nem a China estão falando em desdolarização. Eu não sei por que o nosso presidente insiste nisso, o que acaba criando ainda mais dificuldade nas negociações”, completou.

Fonte


Publicado

em

por

Tags: