Câmara acelera projeto de adultização que pode gerar multas de até R$ 50 mi

A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (19), em votação simbólica, a urgência para a tramitação de um projeto que endurece regras de proteção digital para crianças e adolescentes. O projeto pode ser voltado nesta quarta-feira (20) em Brasília.

onca arrasta jacare Tchaco Pantaneiro
Onça jovem arrasta um jacaré adulto. (Foto: Reprodução)

A proposta estabelece configurações padrão de controle parental e prevê punições severas para empresas que descumprirem as normas.

Entre as medidas, estão:

  • limitação de contato de terceiros com menores em plataformas digitais;
  • bloqueio de acesso a dados pessoais do público infantojuvenil;
  • restrições ao tempo de uso de produtos e serviços;
  • controle sobre sistemas de recomendação personalizados;
  • proibição de compartilhamento de geolocalização;
  • promoção de educação midiática para uso seguro das tecnologias;
  • limitação do uso de ferramentas de inteligência artificial que não sejam essenciais ao funcionamento do serviço.

Punições previstas

O descumprimento poderá resultar em advertência com prazo para correção, multas de até 10% do faturamento ou até R$ 50 milhões por infração, suspensão temporária das atividades ou até proibição definitiva de funcionamento no Brasil. Os valores arrecadados serão destinados ao Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente.

Debate e críticas

A aprovação da urgência gerou protestos da oposição, que pediu registro nominal dos votos solicitação feita somente após a deliberação. Parlamentares contrários alertam para o risco de “censura” e criticam a redação de um trecho que aplica a lei também a produtos ou serviços de “acesso provável” por menores, considerado um conceito vago.

“Temos que nos posicionar contra a adultização, mas há um problema que precisa ser resolvido para que não percamos nossa liberdade de expressão”, afirmou o deputado Eli Borges (PL-TO).

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que o tema será prioridade da semana e que uma comissão geral será realizada nesta quarta-feira (20) para debater a proposta.

Contexto

A discussão ganhou força após a prisão do influenciador Hytalo Santos, investigado por exploração e exposição de menores em vídeos publicados nas redes sociais. O caso foi denunciado por outro influenciador, Felca, no último dia 9.

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