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Operação contra esquema de apostas ilegais começou após facção interromper reunião com secretário de Estado
De acordo com a Polícia Civil, as investigações começaram em dezembro de 2023, depois que membros da facção encerraram uma reunião política sob ameaças. O motivo seria que a irmã de um dos investigados era pré-candidata a vereadora e o encontro teria sido interpretado pela facção como ato político, devido à presença de um secretário de Estado.
No ano passado, o vereador Rafael Ranalli (PL) declarou que cerca de cinco parlamentares teriam sido eleitos com apoio do crime organizado e que houve “interferência, coação e extorsão de moradores para votar ou não” em determinados candidatos. Na esteira da denúncia, foi dito que faccionados teriam proibido campanhas em territórios dominados, para beneficiar os candidatos ligados ao crime. Denúncia da mesma natureza foi feita pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD).
“Durante a campanha ficou muito claro para todos os candidatos que têm bairros dominados pelo comando, eu digo politicamente, que têm bairros dominados todo mundo já sabe, mas agora houve essa interferência direta, com ação, extorsão dos moradores para votar ou não”, disse Ranalli à época.
Ele ressaltou que não possuía provas, mas que apresentaria a denúncia para investigação da Polícia Federal.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), também levantou suspeitas de influência de facções no cenário político. Em novembro, disse ter recebido informações anônimas de que um líder criminoso teria emprestado R$ 200 mil a um vereador para influenciar a eleição da Mesa Diretora da Câmara.
“A gente recebeu informações – que a gente ainda está apurando – de que alguém teria pego um dinheiro emprestado com um líder do Comando [Vermelho] aí para poder cooptar vereadores para conseguir uns votos e montar uma determinada chapa. A gente não tem certeza se essa informação é real. A gente está apurando, mas dizem que até vereadores já sofreram assédio ou ofertas”, afirmou o prefeito.
Operação
A Polícia Civil cumpriu, nesta quinta-feira, 38 ordens judiciais da Operação Ludus Sordidus, que investiga crimes como jogos de azar, estelionatos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
As decisões foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, a partir de investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).
Foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, 8 de busca e apreensão, além do sequestro de 8 imóveis e do bloqueio de contas e valores que somam R$ 13,3 milhões. As ações ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande e Nova Odessa (SP).

Operação revela domínio de facção em bairros e interferência em campanha a vereador; tema foi denunciado na Câmara
A Operação Ludus Sordidus, deflagrada nesta quinta-feira (21), que mira desarticular uma facção criminosa altamente estruturada, reforça denúncias feitas logo após as eleições municipais de 2024 sobre a possível ligação de candidatos a vereador com o crime organizado e a proibição de campanhas políticas em territórios em que a criminalidade já teria seus nomes definidos na corrida pela Câmara Municipal.
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