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Em decisão proferida nesta quarta-feira (20), Giraldelli indeferiu pedido liminar contido no habeas corpus ajuizado pela defesa do sargento Eduardo. Os advogados do militar argumentaram pela falta de justa causa para mantê-lo detido, uma vez que não haveria indícios de que ele poderia estar associado à alguma organização criminosa para cometer novos crimes. Também sustentaram que ele é policial militar, possui bons antecedentes e residência fixa.
Examinando o requerimento, o desembargador anotou que o caso é complexo e demanda cruzamento de elementos probatórios e demais informações e, por isso, entendeu prudente não conceder a liminar neste momento, resguardando a análise definitiva para julgamento colegiado.
“Por consequência, estou convencido de que a antecipação dos efeitos da tutela configura medida desaconselhada, fazendo-se prudentes, antes, as informações da autoridade tida por coatora e a coleta de parecer junto à Cúpula Ministerial para que, posteriormente, o habeas corpus possa ser submetido a julgamento pelo órgão fracionário competente, em homenagem ao princípio da colegialidade”, decidiu Giraldellli.
O caso veio à tona após um motorista de aplicativo, identificado como Robson, ser acionado para uma entrega incomum, na semana passada. Ele recebeu um envelope com R$ 10 mil de uma pessoa que, segundo as investigações, seria o militar Eduardo Soares de Moraes. A corrida no aplicativo InDrive foi solicitada usando o nome e a imagem do presidente do TJMT, José Zuquim.
Desconfiado por não receber informações claras sobre o destinatário, o motorista acionou a segurança do Tribunal, que confirmou que o presidente não havia solicitado nem esperava qualquer encomenda. Imagens do circuito interno de segurança (CFTV) do Fórum de Cuiabá mostraram Moraes entregando o envelope ao motorista, acompanhado de uma mulher identificada como Laura Kellys, companheira de outro policial militar, o Sargento Jackson Barbosa, que está preso pelo envolvimento no assassinato do advogado Renato Nery.
Após a identificação, a Polícia Militar, por meio da Rotam, iniciou diligências para localizar Moraes e o prendeu em flagrante.
Outro lado
A defesa de Jackson Pereira Barbosa, patrocinada pelo advogado Renato Carneiro, reafirma sua total inocência e a absoluta ausência de participação em qualquer prática delitiva, especialmente em relação aos fatos noticiados. No final de julho, Jackson foi procurado por um falso advogado que, de forma criminosa, tentou extorqui-lo, exigindo quantia em dinheiro em troca da promessa de conseguir sua liberdade. Jackson rejeitou a proposta de imediato, comunicou o episódio oficialmente ao Batalhão da ROTAM — havendo documento que comprova o ocorrido — e, no dia seguinte, recusou-se a receber novamente esse indivíduo, demonstrando indignação e repúdio à fraude. Após esse episódio, somente voltou a ter ciência do assunto no dia em que foi transferido para outra unidade prisional. Importa destacar que o celular apreendido no batalhão não pertence a Jackson, o que será facilmente demonstrado com a extração dos dados do aparelho. A defesa mantém absoluta confiança de que a verdade prevalecerá e reafirma, de forma categórica, sua inocência também em relação ao caso do falecimento do advogado Renato Nery.

Sargento da PM que usou nome do presidente do TJ para entregar R$ 10 mil na Corte é mantido preso
O desembargador Gilberto Giraldelli, do Tribunal de Justiça (TJMT), manteve a prisão preventiva do policial militar Eduardo Soares de Moraes, preso em flagrante ao tentar entregar R$10 mil em espécie na sede da Corte, utilizando o nome do presidente, o desembargador José Zuquim Nogueira.
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