Com o aumento dos incêndios em vegetação que atingem Campo Grande desde julho, o CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul) iniciou, na sexta-feira (22), uma ação inédita no estado para reforçar o combate às chamas.
Pela primeira vez, aeronaves modelo Air Tractor passam a ser utilizadas para lançar água sobre focos de grandes proporções em diferentes regiões da cidade.
A medida é pioneira em Mato Grosso do Sul e, até agora, só havia sido adotada no Brasil pelo Distrito Federal.
O objetivo é tornar o combate mais rápido e eficiente, reduzindo os impactos do fogo, especialmente em áreas de preservação ambiental e no entorno de residências.
Na estreia da estratégia, o GOA (Grupamento de Operações Aéreas) atuou em três áreas da região sul, abrangendo os bairros Itamaracá, Universitário, Moreninhas e Paulo Coelho Machado. Foram lançados 20 mil litros de água, em sete abastecimentos de três mil litros cada.
A ação foi coordenada de forma integrada entre o GOA, o COCB (Centro de Operações e Comunicação do CBMMS) e as equipes em solo.
O número de queimadas na capital sul-mato-grossense aumentou de forma expressiva nos últimos meses. Em dias críticos, o COCB chega a registrar até 50 chamados diários relacionados a incêndios em vegetação pelo telefone 193.

O problema é agravado por fatores climáticos, como calor intenso, baixa umidade relativa do ar e ventos fortes.
Na sexta-feira, por exemplo, as rajadas chegaram a 58 km/h, com temperatura de 35°C e umidade abaixo de 24%, condições que favorecem a rápida propagação das chamas.
O lançamento de água, chamado alijamento, é considerado seguro e segue protocolos rigorosos. Antes de cada lançamento, as aeronaves realizam voos de reconhecimento.
Mesmo assim, o major Vinícios dos Santos Frotté, comandante da aeronave utilizada no combate, alerta que moradores devem manter distância das áreas atingidas e retirar pipas do céu durante as operações.
Para viabilizar a estratégia, o GOA realizou um estudo técnico que contou com apoio da concessionária de energia, mapeando redes de alta tensão, torres e superpostes.
Também houve acordo com o órgão responsável pelo tráfego aéreo, garantindo segurança sem prejudicar o funcionamento dos aeroportos.
Além disso, a cidade foi dividida em quadrantes, identificando áreas de maior risco e recorrência de incêndios.

As operações contam com duas aeronaves, batizadas de Bombeiro 04 e Bombeiro 05, cada uma com capacidade para transportar até 3 mil litros de água.
O suporte em solo inclui tanques de 20 mil litros, motobombas e mangueiras para reabastecimento rápido, feito em apenas 4 minutos. Cada voo, com lançamentos, dura em média 6 minutos.
As operações são monitoradas em tempo real pelo GOA e pelo COCB, com previsão de ocorrerem diariamente enquanto persistirem as condições críticas.
Apoio da população
Apesar da inovação no combate aéreo, o Corpo de Bombeiros reforça que a colaboração da população é fundamental para reduzir os incêndios. A maioria dos focos ainda é causada por ações humanas, sejam elas intencionais ou não.