Gallo alerta para impacto dos juros altos no campo e critica falta de espaço fiscal da União para sustentar Plano Safra

O secretário de Fazenda, Rogério Gallo, ressaltou que o governo federal precisa ampliar a equalização dos juros do Plano Safra para garantir acesso ao crédito agrícola.

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Ele destacou que os bancos emprestam a Selic acrescida de 2% ao ano, resultando em taxas entre 16% e 17%. A equalização pelo Tesouro Nacional reduz esse patamar para cerca de 9%, mas a limitação fiscal da União restringe o alcance do programa.
Para Gallo, a falta de política fiscal consistente e a crise nas contas públicas nacionais aumentam a vulnerabilidade do setor agropecuário, que é a base da economia mato-grossense.
“O governo paga parte dessa conta, mas não tem espaço fiscal para atender toda a demanda da nossa agricultura. Isso gera um problema porque produtores ficam de fora, e não estamos falando apenas de grandes produtores. Em Mato Grosso, 90% dos sojicultores plantam até 500 hectares. Sem o Plano Safra, eles têm de buscar financiamento a 17% ao ano, o que é inviável diante do aperto das margens no mercado internacional”, alertou.
Ele ainda demonstrou preocupação com os custos de financiamento da agricultura e o impacto na renda dos produtores rurais, em especial os pequenos. Segundo ele, as altas taxas de juros em reais estão comprimindo margens e podem levar parte dos agricultores ao endividamento e até à recuperação judicial.
“Nos preocupa, de fato, o custeio dessa safra e, sobretudo, o Plano Safra. O produtor rural busca financiamento e, sobretudo, o pequeno produtor, ele não consegue se financiar em dólar. Acaba se financiando em reais, com taxa de juros hoje de 16%, 17%. Isso causa um impacto muito forte nos resultados”, avaliou.
Gallo lembrou que, em um cenário de commodities, os preços são definidos pelo mercado internacional, como no caso da soja, cotada em Chicago, e não pelos produtores locais.
Isso, segundo ele, torna o custo de produção ainda mais determinante para a sobrevivência do setor.
“Se você tem aumento de custos, diminui margem. E, se a margem fica muito apertada, a chance de ter prejuízo ou até entrar em recuperação judicial é grande”, afirmou.

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