Jovem de 25 anos foi vítima de importunação sexual, na noite de segunda-feira (25), enquanto ensaiava na concha acústica da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). O caso aconteceu no câmpus Campo Grande.
Ao Primeira Página, a jovem, que não será identificada, contou que estava no local, sozinha, enquanto ensaiava dança vogue. Em certo momento, o homem apareceu e perguntou as horas.
Após receber a resposta, o suspeito sumiu. Desconfiada de que pudesse acontecer algo, a estudante pegou a mochila que estava no canto do palco, quando viu que o rapaz estava na parte de trás da estrutura.
“Ele perguntou se eu tinha cigarro e depois disso começou a falar coisas obscenas, colocou o pênis para fora e começou a se masturbar. Ele ficou falando: ‘vem cá, vem cá’. Eu fingi que estava falando no telefone e fui saindo. Depois que tive a ideia de filmar. Eu peguei e comecei a gravar e saí correndo”, disse.
Em seguida, a vítima correu até um dos blocos da universidade, onde ocorria um evento do curso de audiovisual e relatou o que havia acabado de viver. A segurança do câmpus foi acionada e passou a fazer rondas para localizar o autor, que não foi encontrado nesse instante.
Uma professora deu carona à estudante até em casa, após viver o susto. Quando estava na residência, foi informada pelos colegas que o homem havia sido visto novamente, se masturbando para um grupo de alunos que deixava a instituição.
Porém, desta vez, o suspeito foi detido até a chegada da Polícia Militar. A vítima retornou à UFMS e, acompanhada de outros dois estudantes, foi encaminhada à Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher), onde o caso foi registrado.
Falta de apoio
À reportagem, a jovem relatou que o atendimento só ocorreu por volta das 2h da madrugada desta terça-feira (26), realizada por dois homens.
“O atendimento foi muito rápido. O homem que atendeu quase não fez pergunta. Eu falei que tinha um vídeo explícito, mostra o órgão genital dele, a cara dele, e eles [os agentes] não quiseram ver o vídeo, recusaram o vídeo. Depois eles me levaram para conversar com outro homem, que pediu para eu assinar com a minha digital, assinei e ele falou que eu estava liberada”, contou.
Ao ser dispensada do atendimento, a vítima disse que ouviu que o autor do ato obsceno também havia sido liberado. Quando questionou se nada aconteceria com ele, ouviu que eles “não podem fazer nada, porque a lei só permite prender quando há estupro comprovado”.
“No BO está escrito uma história diferente da que eu contei, porque está escrito que eu estava no grupo e daí esse grupo viu o cara se masturbando, sendo que aconteceu comigo antes de acontecer com o grupo. E ele não escreveu isso no BO”, afirmou a vítima.
Quando deixou a delegacia, perguntou se poderia ser levada de volta à casa, uma vez que o autor também havia saído do local no momento que ela. Entretanto, escutou que isso não seria possível.
“A sorte é que eu estava com esses dois colegas, que pediram um carro de aplicativo para eu poder voltar pra casa, porque eu estava sem bateria”, relatou. Na rua em frente à delegacia, encontrou com o homem novamente, que já estava em liberdade.
A reportagem questionou a Polícia Civil quanto aos problemas no atendimento relatados pela vítima, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. A UFMS também não se manifestou até o momento.
