O Mato Grosso do Sul foi alvo, nesta quinta-feira (28), de duas operações da Receita Federal em parceria com outros órgãos de segurança.
Conforme divulgado pela Receita, as ações miram desde o contrabando de produtos paraguaios até um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis que movimentou dezenas de bilhões de reais nos últimos anos.

Operação Manifesto: combate ao contrabando e descaminho
Em parceria com a Polícia Federal, a Receita deflagrou a Operação Manifesto, com foco no combate ao contrabando e descaminho de mercadorias de origem paraguaia, incluindo armas de fogo, eletrônicos, medicamentos e armações de óculos. São 6 mandados cumpridos em Campo Grande, um em Dourados, um em São Paulo e um em Amambai.
A investigação começou após uma prisão em flagrante ocorrida em Nova Alvorada do Sul, em julho de 2023, quando a PF apreendeu um caminhão tombado com carga irregular. O “manifesto” de transporte estava em nome do dono da transportadora e não do motorista, numa tentativa de alterar os dados reais da ocorrência.
As apurações revelaram um grupo estruturado, com divisão de funções, responsável por trazer mercadorias ilegais do Paraguai para Campo Grande e cidades próximas, de onde eram distribuídas principalmente para São Paulo. A logística incluía transportadoras de confiança, que misturavam cargas ilícitas em meio a mercadorias legais.
A Justiça Federal de Dourados autorizou o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, oito em Mato Grosso do Sul e um em São Paulo, além do bloqueio de ativos de nove investigados, no valor individual de R$ 622 mil. Participaram da ação 41 servidores, entre auditores e analistas da Receita Federal e policiais federais.
Operação Carbono Oculto: esquema bilionário no setor de combustíveis
Simultaneamente, a Receita Federal, em conjunto com Ministério Público, Polícia Federal e diversas instituições, deflagrou a Operação Carbono Oculto, contra o crime organizado.
No Mato Grosso do Sul, foram cumpridos oito mandados em empresas, sendo um em Dourados e sete em Iguatemi. A investigação desmantela um esquema que envolvia toda a cadeia de combustíveis, desde a importação até a venda ao consumidor final, com uso de fintechs como bancos paralelos e fundos de investimento para ocultar patrimônio.
Entre 2020 e 2024, cerca de 1.000 postos vinculados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões, enquanto apenas uma fintech ligada à organização transacionou R$ 46 bilhões de forma não rastreável. Ao todo, 40 fundos de investimentos eram usados para blindar os recursos ilícitos.
Além da lavagem de dinheiro, o esquema envolvia sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e emissão de notas fiscais frias. A Receita Federal já constituiu créditos tributários superiores a R$ 8,6 bilhões contra empresas e pessoas físicas ligadas à organização.
No total, a operação cumpre cerca de 350 mandados em oito estados, e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) já obteve na Justiça o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens.