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“Todos os países se aproveitaram de nós por muitos anos, mas isso não vai mais acontecer”, disse. Segundo ele, “haverá alguma dificuldade”. “Mas tudo bem, não vai ser muita”, disse.
A referência ao Brasil ocorre duas semanas depois que a Casa Branca usou justamente a situação no país para justificar medidas protecionistas.
Em 14 de fevereiro, numa consolidação de sua estratégia comercial, Donald Trump publicou um plano de aumento de tarifas de importação e o estabelecimento de uma regra que cria um tratamento recíproco contra alguns de seus maiores parceiros comerciais.
O Brasil, naquele momento, foi citado no memorando assinado na Casa Branca como um exemplo de país que pode ser afetado por tarifas por conta de suas taxas impostas sobre o etanol americano.
A situação do etanol e a preocupação do governo brasileiro sobre esse ponto tinham sido antecipadas com exclusividade pelo UOL no início de fevereiro.
Naquele momento, a Casa Branca acusou o Brasil de cobrar 18% de tarifas para o etanol dos EUA. Mas os americanos taxam o produto brasileiro em apenas 2,5%. O governo americano destaca que, como consequência dessa discrepância, “os EUA importaram US$ 200 milhões em etanol do Brasil em 2024, mas exportaram apenas US$ 52 milhões em etanol para o Brasil.”
Apesar das promessas de Trump e de suas ameaças, não houve ainda uma aplicação imediata das taxas.
Mesmo assim, a referência explícita ao Brasil foi considerada como uma preocupação dentro do governo.
No governo de Jair Bolsonaro, o Brasil eliminou as tarifas para o etanol americano. Mas, nos primeiros meses do governo Lula, o produto voltou a ser taxado em 18%.
Para atender a regiões dos EUA que votaram amplamente pelo republicano, a Casa Branca abraça a reivindicação dos exportadores de estados como Iowa, Nebraska, Missouri, Indiana e Kansas.
O governo Lula também considera que Trump pode usar as tarifas como instrumentos de barganha em outras áreas, ou mesmo como punição. Uma delas seria o tratamento das plataformas digitais no Brasil, alvos constantes de questionamentos por parte do STF.
O Brasil também considera que pode ser “punido” por algum tipo de relacionamento mais próximo com a China, país que define hoje a política externa de Trump.

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