“Eu vou te matar”: a promessa que tirou a vida de Rose Antônia

Em Costa Rica, no interior de Mato Grosso do Sul, o sangue que escorria por baixo da porta de uma quitinete denunciava a tragédia ocorrida ali. Dentro do imóvel, Rose Antônia de Paula, de 41 anos, estava caída no chão, sem vida, ao lado do facão que selou seu destino para sempre.

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Rose Antônia de Paula (Foto: divulgação)

Rose não era apenas mais uma vítima. Era mãe de uma menina de oito anos, filha, amiga. Moradora de Bonito, ela frequentava a cidade de Costa Rica para encontrar o namorado Juliano. Gostava de voltar para casa, à sua rotina tranquila, mas isso não aconteceu. Sua vida foi interrompida na noite de 27 de junho de 2025, quando estava preparando as malas para retornar.

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A Polícia Militar foi acionada por volta das 8h do dia 28, após a proprietária do imóvel notar sangue escorrendo pela porta de uma das quitinetes. Ao entrar, os policiais encontraram Rose caída no chão, já sem vida. Perto do corpo havia um facão e, debaixo da cama, estavam documentos dela e de Juliano.

No dia do crime, testemunhas relataram que o casal passou a tarde discutindo. Por volta das 21h, Juliano Pinheiro de Oliveira, de 40 anos, foi visto deixando o local em uma motocicleta, em alta velocidade.

Ele fugiu logo após o feminicídio e permaneceu foragido por três dias, até ser encontrado escondido em uma fazenda, no dia 30 de junho. Desde então, segue preso, segundo a Polícia Civil, que ainda dá andamento às investigações.

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Juliano Pinheiro de Oliveira, de 40 anos, foi preso na tarde do dia 30 de junho (Foto: PCMS)

O aviso

Em 2022, Rose já mantinha um relacionamento de 10 meses com Juliano. No dia 31 de outubro de 2024, ela procurou a delegacia e registrou um boletim de ocorrência contra o companheiro, relatando que havia sido agredida com socos no rosto.

Na ocasião, contou ainda que a filha, de apenas 8 anos, tentou defendê-la e também acabou agredida. Juliano fez ameaças de morte, exibindo um canivete e dizendo: “eu vou te matar”. Ele chegou a ser preso naquele dia, mas foi solto em seguida.

Quase três anos depois, o assassinato de Rose se tornou o 17º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2025. Uma lembrança dolorosa de que esses crimes não acontecem de repente: são anunciados, muitas vezes repetidamente, até que a promessa do agressor se cumpre.

Caminho para denúncia

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-Violência doméstica — seja psicológica, física, moral ou verbal — é crime e precisa ser combatida. Saiba como denunciar:

  • Emergência: se a agressão estiver acontecendo, ligue 190 imediatamente;
  • Central de denúncias: disque 180. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia, todos os dias. Também é possível denunciar via WhatsApp: (61) 9610-0180;
  • Presencial: procure a delegacia mais próxima ou acione a Polícia Militar pelo 190;

Em Mato Grosso do Sul as denúncias de violência de gênero podem ser feitas de maneira on-line.

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