O que deveria ser laço de proteção e cumplicidade se transformou em tragédia para a família de Juliety Vieira, de 35 anos, no dia 25 de julho deste ano, em Naviraí, município a 342 km de Campo Grande.
A mulher foi morta pelo próprio irmão, Edivaldo Vieira, de 45, alguém que deveria ser porto seguro, mas se tornou seu algoz.

O crime brutal, cometido dentro da casa da família, marcou o 19º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2025.
O assassinato ocorreu por volta das 22h40 de uma sexta-feira. Juliety e o irmão bebiam com um amigo quando começaram a discutir. A briga evoluiu para agressões físicas até que Edivaldo pegou uma faca e atingiu o pescoço da irmã com um golpe fatal. O amigo ainda tentou intervir, mas acabou agredido com socos no rosto.
O suspeito foi encontrado em frente à residência pela Polícia Militar e preso em flagrante. Em audiência de custódia, teve a prisão convertida em preventiva.
Segundo o delegado responsável pelo caso, a versão apresentada pelo acusado não convenceu. Edivaldo disse que a morte teria sido resultado de uma “brincadeira” que terminou em tragédia. Na época, o delegado destacou que o relato era “bem contraditório” em relação às provas colhidas e ao depoimento da testemunha que estava no local.
A morte de Juliety escancara novamente a face cruel da violência de gênero em Mato Grosso do Sul. O estado ocupa o segundo lugar no ranking nacional de feminicídios, com taxa de 2,4 casos a cada 100 mil mulheres em 2024.
Em 2025, os números seguem alarmantes: 24 mulheres já foram mortas apenas nos oito primeiros meses do ano.
Juliety não pode ser lembrada apenas como mais uma estatística. Ela era filha, irmã, amiga. Seu nome agora se soma a uma lista dolorosa de vítimas que, dia após dia, expõe a urgência de políticas mais efetivas de proteção às mulheres em Mato Grosso do Sul.
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