Agosto lilás teve tom “vermelho sangue” com 4 feminicídios registrados em MS

Os ventos de setembro sopram rumo à primavera. O sol brilha com vento gelado que bate no rosto do cotidiano, insistente em fazer voar as folhas do calendário. Mas em quatro casas de Mato Grosso do Sul e fronteira, o tempo parou. Segue suspenso na ausência de mães, filhas, irmãs. Mulheres que, em pleno Agosto Lilás, perderam suas vidas pelas mãos de feminicidas.

Identidades que se tornaram números na triste e robusta estatística de violência contra a mulher no estado. Chegamos a 24 feminicídios somente em 2025 e ainda faltam três meses para a chegada de 2026.

Salvadora Pereira

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Salvadora Pereira (Foto: Redes Sociais)

Apesar do nome, a jovem de 22 anos não conseguiu se salvar. Moradora de Corumbá, Salvadora Pereira foi morta pelo marido com um tiro no rosto. José Cliverson não levou em consideração nem mesmo os filhos, três crianças menores de oito anos, agora órfãs do amor que sublime que já tiveram na curta vida.

No dia do crime, 2 de agosto, o casal havia bebido durante a tarde e uma discussão, segundo a Polícia Civil, foi a pólvora que culminou no trágico desfecho que teve como cenário a região do Passo do Lontra.

O assassino tentou fugir pela BR-262, mas acabou preso antes mesmo de conseguir sair da propriedade em que ambos eram caseiros. Pressionado, acabou confessando o crime, além de ficar constatado haver mandado de prisão em aberto contra ele por atos anteriores.

Letícia Ferreira Araújo

Feminicídio
Letícia Ferreira Araújo não resistiu aos ferimentos e morreu após ser atropelada (Foto: Reprodução)

Além do roteiro seguido por praticamente todo feminicídio, a morte em frente aos filhos liga os dois casos que iniciaram o sangrento agosto que Mato Grosso do Sul teve este ano. Letícia Ferreira Araújo, 25 anos, morreu após ser atropelada pelo marido, Vitor Ananias, em Cassilândia.

Era noite de 9 de agosto, quando, após uma discussão seguida de agressão, a jovem tentou fugir. Saiu correndo pela rua da casa em que ambos moravam enquanto ligava para a polícia, mas a velocidade dos pés e da fala foram insuficientes para mudar seu destino.

De acordo com uma testemunha, o algoz entrou no carro, olhou rumo à vítima, deu partida e a apertou o acelerador. Atropelou a esposa e bateu no muro da casa vizinha.

Conforme investigação da Polícia Civil, desceu do veículo, foi até o corpo e, ao verificar que não havia mais vida ali, sentou na varanda da residência. Por lá ficou até a chegada da equipe policial. Os filhos, meninos de menores de cinco anos, assistiram tudo. Do portão, gritavam “mamãe”, um chamado que jamais será respondido novamente.

Uma vizinha recolheu as crianças. Vitor foi preso. Inicialmente, tentou justificar a morte dizendo que Letícia, de fora do carro, havia puxado o volante e feito o veículo perder a direção.

Dahiana Ferreira Bobadilla

Dahiana Ferreira Bobadilla
Dahiana Ferreira Bobadilla (Foto: Redes Sociais)

Naquela mesma noite, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, a paraguaia Dahiana Ferreira Bobadilla, 24 anos, também era assassinada pelas mãos do ex-companheiro, Dilson Ramon Frete Galeano, 29 anos.

O crime ocorreu em terras paraguaias, mas foi no Brasil, em Bela Vista, que o criminoso escondeu o corpo. A moça foi encontrada numa cova rasa às margens do Rio Apa. Inicialmente, o crime não seria computado para Mato Grosso do Sul, mas acabou engrossando o ranking de feminicídio do estado.

Érica Regina Moreira Motta

Erica motta
Érica Motta (Foto: Redes Sociais)

Após dois dias de cárcere privado, Érica Regina Moreira Motta, 46 anos, foi morta a facadas pelo companheiro, Vagner Fernandes, 59 anos, em Bataguassu. O crime ocorreu na última quarta-feira (27).

Os vizinhos acionaram a polícia após ouvirem gritos e possível fuga do assassino. Com a roupa suja de sangue, ele deixou a casa no bairro Jardim Real. Foi encontrado em poucos minutos, enquanto comia e bebia na rodoviária da cidade.

Érica, por sua vez, foi encontrada morta, sentada em uma poltrona, com pelo menos sete perfurações pelo corpo. Assim como tantos outros, Vagner tem diversas passagens pela polícia.

Caminho para denúncia

🚨 Denuncie a violência contra a mulher

Violência doméstica — seja psicológica, física, moral ou verbal — é crime e precisa ser combatida. Saiba como denunciar:

Emergência: se a agressão estiver acontecendo, ligue 190 imediatamente;

Central de denúncias: disque 180. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia, todos os dias. Também é possível denunciar via WhatsApp: (61) 9610-0180;

Presencial: procure a delegacia mais próxima ou acione a Polícia Militar pelo 190;

Em Mato Grosso do Sul as denúncias de violência de gênero podem ser feitas de maneira on-line.

Clique aqui e faça a denúncia.

⚠️ Violência contra a mulher não pode ser ignorada. Basta! Denuncie.

Selo Basta
Basta, campanha contra violência doméstica e feminicídio do Primeira Página

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