Bandeira dos EUA na Paulista
Manifestantes bolsonaristas estendem bandeira dos EUA em ato pró-anistia do ex-presidente na Av. Paulista, em São Paulo. Crédito: Pedro Augusto Figueiredo/Estadão
Manifestantes ocuparam parte da Avenida Paulista, em São Paulo, para o ato em defesa da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demais réus do golpe de 8 de janeiro. Eles estenderam uma bandeira dos Estados Unidos em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).
O governo de Donald Trump impôs tarifas às exportações brasileiras e sancionou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de interferir no julgamento do ex-presidente.
A manifestação está prevista para começar às 15h. Ao longo da avenida é possível ver faixas pedindo que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), coloque o projeto de anistia em votação e que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), dê andamento ao processo de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes.
O Partido Novo levou à Paulista um boneco inflável com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com roupa de presidiário e, ao lado, um baton e um ovo inflável onde está escrito de vermelho a frase “Perdeu, mané”.
Trata-se de uma alusão a Moraes, chamado de cabeça de ovo pelos bolsonaristas, e uma crítica à condenação da cabeleireira Débora dos Santos, que utilizou um batom para pichar a mesma frase na estátua “A Justiça” no 8 de Janeiro de 2023. Ela foi condenada a 14 anos de prisão.
Com o lema “Reaja Brasil: o medo acabou”, o ato deste domingo, 7, na Avenida Paulista ocorre em meio ao julgamento de Bolsonaro e dos demais réus do núcleo crucial por tentativa de golpe. A previsão é que o STF encerre a análise do caso na sexta-feira, 12.
Pela segunda vez consecutiva, Bolsonaro não estará presente pois cumpre prisão domiciliar após ter desrespeitado medidas cautelares determinadas pelo STF.
A pauta principal da manifestação é a aprovação da anistia ao ex-presidente, aos réus na ação do golpe e aos condenados pelo 8 de Janeiro.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), fez um gesto ao bolsonarismo e assumiu o protagonismo das articulações em Brasília para fazer a proposta avançar.
Diferentemente do último ato no início de agosto, quando faltou para realizar um procedimento médico, Tarcísio tem presença confirmada neste domingo. Ele será a principal liderança política no palanque ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Também estarão presentes os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), que não estavam presentes no ato anterior.
Estratégia bolsonarista
Bolsonaristas realizaram atos descentralizados em várias capitais brasileiras pela manhã deste domingo, para concentrar esforços e energia à tarde em São Paulo.
Em Brasília, políticos e outras lideranças bolsonaristas atacaram o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes. Durante o ato na capital federal, defenderam anistia total aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
O ato bolsonarista em Copacabana, no Rio, começou às 11 horas. Alguns apoiadores do ex-presidente carregavam faixas com críticas contra o STF e o presidente Lula: “Fim da ditadura do STF”; “Senadores omissos, + moral e – moraes”; “anistia já”; “fora Moraes”; e “fora Lula”. Aliados de Bolsonaro carregaram, em meio a bandeiras do Brasil, bandeiras dos Estados Unidos. O ato foi encerrado por volta das 13h.
Durante discurso na orla carioca, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se dirigiu diretamente aos presidentes da Câmara e do Senado e afirmou que “não existe meia anistia” e que a oposição “não vai admitir” uma anistia que não atenda o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Anistia não é sobre pessoas, é sobre fatos. Não dá para anistiar a Débora do Batom sem anistiar Bolsonaro”, afirmou, durante o ato em Copacabana.
A deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) reproduziu durante o ato no Rio um áudio atribuído à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em que ela classificou o julgamento do ex-presidente como uma “grande peça teatral, com enredo de perseguição e ilegalidades”.
Parlamentares do PL participaram das mobilizações em seus redutos eleitorais e são esperados na Paulista na tarde deste domingo. Entre eles estão nomes como dos deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). O senador Rogério Marinho (PL-RN) também confirmou presença em São Paulo.
Os deputados federais paulistas Paulo Bilynskyj (PL-SP) e o pastor Marco Feliciano (PL-SP), assim como outras lideranças locais, como o prefeito e o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) e Coronel Mello Araújo (PL), e os vereadores Adrilles Jorge (União Brasil) e Zoe Martínez (PL), subirão no trio elétrico. Também é esperada a presença do ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, Fábio Wajngarten.
Deixe um comentário