Suspeito de matar mulher da UFMT muda versão e apresenta contradições, diz delegado

O suspeito de matar Solange Aparecida Sobrinho, de 52 anos, mudou de versão e apresentou contradições em novo depoimento, segundo o delegado Bruno Abreu. Reyvan da Silva Carvalho admitiu que esteve com a vítima e reconheceu ser ele nas imagens de segurança, mas negou o feminicídio. Ele está preso desde o último dia 29.

Reyvan da Silva Carvalho foi preso nesta sexta-feira (29) dentro da UFMT, onde também ocorreu o último feminicídio.(Foto: Bárbara Siviero/TVCA
Reyvan da Silva Carvalho foi preso no último dia 29 dentro da UFMT, onde também ocorreu o último feminicídio (Foto: Bárbara Siviero/TVCA)

Solange foi encontrada morta no dia 24 de julho deste ano em um galpão desativado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Cuiabá.

Suspeito de matar mulher na UFMT foi visto circulando pelo local no dia do crime | Vídeo: reprodução

De acordo com o delegado, Reyvan começou negando qualquer envolvimento no caso. No entanto, ao longo do interrogatório, acabou mudando a versão e admitiu que teve contato com Solange, mas negou a morte. Apesar disso, reconheceu que é ele quem aparece nas imagens de segurança circulando ao lado da vítima dentro da UFMT.

“O depoimento dele é cheio de contradições. Primeiro nega, depois admite o contato, mas tenta dissociar a relação da cena do crime. As provas técnicas apontam justamente o contrário”, destacou o delegado.

Vídeo mostra a mulher que foi achada morta na UFMT indo em direção ao local onde o corpo foi encontrado – Vídeo: Reprodução

DNA escancara histórico de violência

A investigação sobre a morte de Solange foi determinante para revelar o histórico do suspeito. Vestígios biológicos coletados no corpo da vítima e uma bituca de cigarro encontrada no galpão foram analisados pela perícia, que identificou coincidência com perfis já cadastrados no banco genético do Estado.

O resultado expôs que Reyvan está ligado a pelo menos quatro outros crimes violentos contra mulheres em Cuiabá, entre 2020 e 2022, incluindo estupros e um feminicídio. Até então, seis suspeitos diferentes haviam sido investigados e descartados.

Últimos passos de Solange

Solange foi vista pela última vez no dia 23 de julho, às 15h20, quando câmeras de segurança registraram sua presença caminhando sozinha pelo campus da UFMT. Poucas horas depois, desapareceu. Na manhã seguinte, o corpo foi localizado em um galpão desativado, fora da área de circulação acadêmica.

Segundo laudo preliminar, a vítima era portadora de esquizofrenia, condição que pode tê-la tornado ainda mais vulnerável ao ataque. A UFMT informou, em nota, que o espaço estava desativado e que Solange não tinha vínculo com a instituição.

Prisão e desdobramentos

Reyvan foi preso no dia 29 de julho dentro da própria universidade. Para a Polícia Civil, a captura e os laudos de DNA consolidam a identificação de um criminoso em série que agia em Cuiabá havia pelo menos cinco anos.

As investigações seguem em andamento e em sigilo. A expectativa é de que, com as provas já reunidas, o Ministério Público reforce as acusações não apenas pela morte de Solange, mas também pelos outros casos de estupro e feminicídio associados ao suspeito.

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