Completou nesta sexta-feira (12) um mês do desaparecimento de Gabriely, 21, mulher trans, em Várzea Grande (MT). Ela não é vista desde 12 de agosto; mudou-se sozinha para a cidade há cerca de três meses, deixando Cuiabá, onde vivia com a mãe. Tem cabelo castanho e cerca de 1,50 m de altura.

Segundo a mãe, a última conversa foi em 12 de agosto: ao atender, Gabriely disse apenas “oi, mãe”. Na sequência, uma segunda voz ao fundo teria ordenado “desliga esse telefone”, e a chamada foi encerrada. Desde então, todas as tentativas de contato fracassaram. No dia 14, o celular ainda chamava, mas ninguém atendeu; as mensagens, antes frequentemente visualizadas, deixaram de ser lidas. Até então, Gabriely mantinha contato quase contínuo com a família.
“Minha vida acabou, não consigo comer direito, dormir, e até trabalhar está difícil. Minha esperança como mãe é encontrá-la com vida, mas só quero receber notícias da minha filha, mesmo que não sejam boas. Quero saber onde ela está”, desabafou a mãe, que prefere não se identificar. A família inteira vive em desespero, incluindo a avó de Gabriely, que passou mal ao saber do desaparecimento.
Gabriely teria se mudado para Várzea Grande sem que a mãe soubesse que a região era perigosa. “Se eu soubesse que o lugar era tão perigoso, não teria deixado que minha filha se mudasse sozinha”, contou.

A Polícia Civil investiga o caso, mas a família relata sentir que as respostas são insuficientes. “Eu fui até a delegacia, tentando receber alguma notícia da minha filha, mas eles só dizem que estão procurando, investigando e não me dão uma resposta”, disse a mãe.
Em nota, a polícia afirmou que “as diligências e investigações estão sendo realizadas para localização de Gabriely (Willian Gabriel Silva de Jesus)”.
A população local também não ofereceu informações sobre o paradeiro da jovem. “Todos dizem que ninguém viu, mas sei que as pessoas estão com medo por ser uma região perigosa”, contou a mãe.
Um mês após o desaparecimento, Gabriely continua desaparecida. A família mantém a esperança de encontrá-la com vida e clama por qualquer informação que possa levar à localização dela.
Entenda o caso
Gabriely, 21, mulher trans (registrada como Willian Gabriel Silva de Jesus), desapareceu em 12 de agosto, em Várzea Grande (MT). A família suspeita que o caso tenha relação com o sequestro de vizinhos e amigos ocorrido dias antes, hipótese ainda não confirmada pela Polícia Civil.
Em 9 de agosto, José Wallefe dos Santos Lins, 28, a esposa, Ariane da Silva Cerqueira, 27, e o filho do casal, de 1 ano, foram sequestrados por integrantes de uma facção no bairro Jacarandá. Ariane e a criança foram resgatadas dias depois, com sinais de violência; José foi encontrado morto em 20 de agosto, enterrado em área de mata no Residencial Isabel Campos.
Segundo a mãe, no dia do desaparecimento, Gabriely tentou intervir para proteger Ariane, pedindo que os criminosos não a agredissem. Durante essa tentativa, sumiu. A última ligação, em 12 de agosto, trouxe apenas um “oi, mãe”; na sequência, uma voz ao fundo teria ordenado “desliga esse telefone” e a chamada caiu. Desde então, o celular não atende mais e as mensagens — antes sempre visualizadas — deixaram de ser lidas a partir de 14 de agosto. Até então, Gabriely mantinha contato quase contínuo com a família.
Ela havia se mudado para Várzea Grande há cerca de três meses, sem saber que a região era considerada perigosa, diz a mãe. A família afirma receber respostas genéricas (“estamos procurando, investigando”) e aguarda avanços. A Polícia Civil informa que a investigação segue em andamento.
Linha do tempo
- 12 de setembro – Um mês desde o desaparecimento de Gabriely; polícia segue investigando o caso, sem novas informações divulgadas.
- 9 de agosto – José Wallefe, Ariane e o filho são sequestrados por facção criminosa em Várzea Grande.
- 12 de agosto – Gabriely desaparece; segundo a família, a ação pode ter ligação com o sequestro. Atende ao telefone pela última vez, mas a ligação é interrompida.
- 13 de agosto – Ariane e o bebê são resgatados, com sinais de violência; Ariane passa por cirurgia devido às agressões.
- 14 de agosto – Tentativas de contato com Gabriely falham; mensagens deixam de ser visualizadas.
- 20 de agosto – O corpo de José Wallefe é encontrado enterrado no bairro Residencial Isabel Campos.