Justiça determina penhora de bens de empresária acusada de ‘calote’ em aluguéis; suspeita deve mais de R$ 80 mil

A imobiliária Bel Lar Locação e Venda de Imóveis e sua proprietária, a corretora Lenibel Strobel, tiveram as contas bloqueadas em duas sentenças proferidas pela Justiça de Cuiabá, como forma de quitar mais de R$ 80 mil em dívidas de contratos de aluguéis na capital. Duas pessoas procuraram  para denunciar que foram vítimas de supostos golpes aplicados pela corretora, que além das ordens de bloqueio em duas ações distintas, ainda ostenta mais de 20 processos a seu desfavor em Mato Grosso.

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Após receber as denúncias, a reportagem descobriu diversas ações contra Lenibel. Na maioria dos casos, ela é acusada de desviar os valores de alugueis devidos aos proprietários dos imóveis com quem negocia, reter cauções, atrasar pagamentos e, ainda, deixar de pagar impostos – sujando o nome dos locadores e os relegando a dívidas.
Processos buscam a condenação de Lenibel ao pagamento dos valores retidos e indenizações por danos materiais e morais. As diversas demandas analisadas demonstraram que a corretora segue um padrão de atuação: primeiro ela chega ao cliente oferecendo facilidade na administração de imóveis para, posteriormente, quebrar a confiança contratual e reter valores de forma indevida. 
“Aquela mulher aplicou mais um golpe, seria bom a população saber desse perigo”, disse um dos denunciantes nesta terça-feira (9), exatamente uma semana após o juiz Carlos José Rondon Luz determinar penhora de ativos financeiros em nome de Lenibel e sua empresa, até o valor cobrado pela outra vítima que buscou a reportagem.
No caso examinado pelo juiz Carlos Rondon, ela é acusada de não repassar R$ 4 mil referente a dois meses de alugueis, além de débitos de IPTU, em contrato firmado para ela administrar um apartamento de alto padrão no bairro Jardim das Américas, Cuiabá.
“O escritório dela era ali perto. Ela falava que tinha muitos apartamentos ali.  Alugou o ano, tudo bem. No segundo ano, começou a enrolar pra pagamento. Falava que o inquilino não tava pagando, não sei o quê. Ela ficou devendo um dinheirão pra gente, assim, acho que uns dois aluguéis. Era, acho que era três mil na época, sei lá. E esses PTU também. Aí a gente tentando receber, tentando receber dessa mulher, tentando receber, e nada, e nada, e nada”, disse um dos denunciantes, acrescentando que, diante disso, não restou alternativa senão buscar a dívida perante a Justiça.
Foi então que o magistrado Carlos Rondon, em ordem proferida no último dia 2, ordenou a penhora nos ativos de Lenibel e da empresa. “Já ganhamos a ação, o juiz julgou a nosso favor e estamos na parte de execução onde buscamos bens dela para receber”, disse o advogado da vítima.
No segundo caso em que o Olhar Jurídico foi procurado, o denunciante informou que contratou os serviços da imobiliária para alugar um apartamento por R$ 4.400,00 mensais. Contudo, ela pedia adiantamentos em troca de descontos. Acreditando na oferta, ele pagou R$ 26 mil em três transferências via PIX direto para ela. Desconfiado, procurou os proprietários do imóvel e descobriu que, na verdade, Lenibel não repassou os valores e sequer havia algum acordo sobre os descontos.
“Ela estava se apoderando do dinheiro, fingindo que estava me dando um desconto. Inclusive, até o IPTU ela me deu golpe, porque pediu para eu transferir para ela que ela ia pagar, mas ela não pagou. Eu tentei resolver amigavelmente e, no início ela disse que ia pagar. No inicio ela respondia e falou que ia pagar, depois ela sumiu e não respondia mais. Agora vou ter que acionar ela na justiça. Meus advogados foram atrás e viram que ela tem um monte de golpe aplicado e processos por isso”, lamentou, acrescentando que irá processá-la em breve.
Em novembro do ano passado, a imobiliária sofreu outra derrota na Justiça, por sentença do juiz Jamilson Haddad Campos, do 3º Juizado Especial Cível de Cuiabá. Na ocasião, Lenibel e sua empresa eram cobradas para adimplir dívida atualizada de R$ 75.936,00.
Caso trata de ação ajuizada em 2023 por proprietário de imóvel no bairro Santa Cruz, capital, contra a Bel Lar e Lenibel. O autor alega que, desde 2019, a empresa atrasa consistentemente os repasses do aluguel, não pagou multas por esses atrasos e gerenciou mal o imóvel.
Diversas irregularidades foram detalhadas, como a falta de envio de contratos e a aprovação de benfeitorias sem sua autorização, e solicita o encerramento imediato do contrato, o pagamento de dívidas que somam R$ 29.062,63, a indenização por danos morais de R$ 12.000,00 e a inversão do ônus da prova. Examinando caso, o juiz Jamilson Haddad, então, decidiu penhorar os ativos financeiros da empresa e de Strobel, no valor atualizado de R$ 75 mil, em sentença proferida em novembro de 2024.
Procurada, Lenibel respondeu via sua defesa. Em nota, negou veementemente a acusação de retenção de valores, que todas suas operações tramitam em conformidade com a legislação, e que atua há 10 anos no mercado, sempre pautada pela legalidade e respeito aos clientes. 
Outro lado
A Bel Lar esclarece que repudia veementemente a acusação de retenção indevida de valores. Todas as quantias recebidas em suas operações são tratadas com transparência e em estrita conformidade com os contratos firmados e com a legislação vigente. Nos processos em que já houve citação formal, a empresa informa que todas as medidas judiciais estão em andamento, com a devida apresentação de defesa, e confia que restará demonstrada a inexistência de qualquer prática irregular. Em relação a eventuais demandas sobre as quais não houve citação ou intimação, a Bel Lar destaca que não possui ciência e que somente tomará conhecimento e adotará providências quando regularmente intimada. A Bel Lar reafirma sua solidez e o compromisso de mais de 10 anos de atuação no mercado imobiliário, sempre pautada pela legalidade, transparência e pelo respeito a seus clientes e parceiros.

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